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Archive for fevereiro \28\UTC 2007

“Famílias…!” — disse com ódio. — “Ora, as famílias são o ninho da mais silente loucura, aquela que é indizível e encontra no berço dos cuidados familiares o seu lugar”. Mal conseguia respirar, bufava, enquanto cuspia seu discurso regado a perdigotos. “Famílias destroem o homem, que faz muito bem em fugir da sua o quanto antes!”. A criança que olhava para ele do berço não compreendia nada, mas não chorava. Pelo contrário, divertia-se perplexa, como se soubesse que aquilo era uma brisa morna de sanidade entre a silenciosa loucura dos seus. Mas não. Era apenas um bebê, e sabia do que os bebês sabem. Não sabia do que não precisava saber, mas seria tão louco quanto os seus quando chegasse o momento. Famílias são mesmo berços de loucura, pois todos precisam fingir que são sãos — mesmo quando não o são.

Um fragmento que me surgiu enquanto lia O Grande e o Pequeno, de Rubem Fonseca.

Quero aproveitar para dizer que o trabalho feito pela galera do Portal Literal é bacana pra cacete!

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Tenho que fazer logo a “reforma” do Alriada Express (atualizar o template para o blogger novo, ajeitar tudo para ele ficar “no jeito”) e voltar a fazer os posts “alriádicos” (como este, e este) por lá. Já estou incomodado em ter transformado meu blog de arte, cultura, literatura e música em um palanque para minhas idéias sobre o mundo e sobre a blogosfera e a internet — eu criei o Caderno do Cluracão justamente para ter um espaço longe do Alriada e de seus papos e para falar de outras coisas que me interessam por vezes até bem mais…

Então está resolvido. Vou descansar um pouco e depois, mãos à obra na reforma do Alriada Express.

Nisso, em uma “rebelitude” bem duendesca, o post continuando a conversa sobre os probloggers fica para depois. Para quem quer acompanhar o andamento do papo, rolaram umas conversas interessantes por aqui e por aqui.


UPDATE:

Finalmente, depois de algumas horas lutando contra a lentidão da minha internet (2mbps do Virtua para essa lentidão toda!?), contra o engessamento do sistema novo do blogger, contra o sono e contra a falta de criatividade (eu quero voltar para os meus contoooooos!!!), finalmente consegui colocar o Alriada Express “no jeito” para voltar a funcionar. Enfim, as blogadas de lá vão para lá e as de cá serão as donas do pedaço aqui!

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Mais um post que bem podia ter ido para o Alriada, se este não estivesse marcado para reformas.

Um estudo da OMS indica que aproximadamente um em cada seis habitantes do planeta sofre de algum tipo de distúrbio neurológico. Por outro lado, o Instituto de Psiquiatria do King’s College de Londres afirma que um em cada três britânicos sofre de “paranóia ou desconfiança excessiva”. Será que agora começa a fazer sentido quando eu falo que esta civilização está deixando as pessoas doentes da alma?

Ao menos os holandeses estão sacando que ouvir vozes na cabeça dando conselhos e fazendo observações não é nada de fora do normal. Mas, o que dizer de um mundo em que dão ketamina para as pessoas e depois se surpreendem que elas tenham sacudido a depressão?

Em uma civilização doente e tola como esta, ainda acham estranho quando digo que prefiro conversar com fadas?

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(post movido para o Alriada Express)

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Depois de uma conversa que começou aqui, e desembocou aqui, começamos a pensar na possibilidade de se escrever um Manual de Auto-Publicação na Rede para Músicos e Músicas Independentes. A pergunta não é apenas se rola de se escrever este manual, mas também como ele deve ser, o quê ele deve conter e principalmente quem está disposto a meter a mão na massa para fazer esse trampo.

Eu estou dentro, naturalmente. Quem mais vem junto? Basta se agregar no papo que está rolando lá no Overmundo, ou dar algum outro tipo de sinal de vida. O Valdir Batone, cara batuta, já está divulgando o papo também no site de sua banda (igualmente bacana) Lixo Extraordinário. Em homenagem a isso, a foto que ilustra o post (que é da autoria de Gabriela de Andrade) foi também retirada do site deles.

Muito mais me interessa fazer o que é bom e bacana do que discutir o que é ruim.

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Quando vejo um negócio desses, me vem um trecho de uma música do Legião Urbana à cabeça:

“…Ah, se eu soubesse lhe dizer qual é a sua tribo
Também saberia qual é a minha, mas você também não sabe
E o que é que eu tenho a ver com isso?

Ah, se eu soubesse lhe dizer o que fazer pra todo mundo ficar junto
Todo mundo já estava há muito tempo
E o que é que eu tenho a ver com isso?

Sou brasileiro errado
Vivendo em separado
Contando os vencidos
De todos os lados”


É tão triste que algumas pessoas baseiem suas revoluções na paranóia, no ódio e na desunião. Não é a toa que quase todo velho revolucionário se torna um velho amargo, frustrado e solitário, isolado dentro de sua furiosa insatisfação. Revolução feita com ódio é apenas loucura, é uma busca tão feroz de mudança que não agrega ninguém — pelo contrário, afasta e aliena — e te leva a um mundo só seu onde você não quer a companhia de ninguém, e ninguém quer mesmo estar junto de você.

“Quando se aprende a amar
o mundo passa a ser seu…”

Não sou inimigo, mas tenho preguiça de quem não sabe reconhecer seus aliados por trás das roupas e dos cheiros. Talvez eu seja apenas um poeta, ou um idiota. Mas não tenho paciência para o ódio, nem tenho tempo para os discursos furiosos. Tenho umas fábulas a escrever e amigos a amar, e um mundo todo meu para cuidar.

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Hoje me fizeram uma proposta de montagem teatral da minha fábula “A Princesa Desencantada”. Levei um susto, pois a pessoa que propôs ouviu apenas uma sinopse da história. A fábula me parece estar sempre tão longe de estar pronta quando me debruço sobre ela… e agora eu tenho que colocá-la pronta de alguma forma para que seja montada para o teatro? É emocionante e um bocado desconfortável, pois sinto-me desconfortável com aquela fábula…

Mas a gente faz o que pode em nome da arte, né? Vou fazer o possível para que ela esteja pronta para ser montada o quanto antes…

Enquanto isso, sinto-me em pesada dívida comigo mesmo por não ter tido tempo de mergulhar nos meus escritos nos últimos dias. Mas, a gente faz o que pode né?

UPDATE:
Trabalhei um bocado com novas anotações, novas idéias que surgiram nas recontagens da história da Princesa Desencantada. Surgiu um novo final, um novo meio, um novo ambiente, a história cresceu e ganhou um significado totalmente diferente. Em suma, estou reescrevendo a fábula do zero, mas finalmente ela fez sentindo — completamente — para mim.

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