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Archive for maio \22\UTC 2008

“O que estou fazendo aqui?

Não me lembro, ou não quero me lembrar, do que aconteceu antes. Fico olhando para o espelho. Algumas lâmpadas estão queimadas, e o espelho está borrado com marcas de dedo e velhas anotações em batom mal apagado. O camarim — meu camarim? — tem um cheiro ruim de roupas guardadas e poeira. Acendí um cigarro mas não o fumei. Ficou flutuando em meus dedos, morrendo lentamente, se desmanchando sobre a bancada. Fiquei perdida em meus olhos, querendo lembrar quem eu sou sem olhar para quem eu fui. Talvez não seja possível fazer isto para sempre. Mas quem é que nunca quis ser outra pessoa?

Me lembro de alguém — cujo rosto e o nome se perderam na profusão de rostos que me olha por trás de meus olhos no espelho — que sonhou um dia em ser bailarina. Queria subir em um palco e ser vista, e flutuar sobre todos, acima do mundo que a cercava. Um marinheiro em um beco em um dia fatal acabou com seu sonho e com sua vida. Eu soube, como sempre sei, do que havia acontecido. E há lugares em que o vento tem nome e alma de mulher. Mas mesmo quando ele morreu de frio ou asfixia junto com seus companheiros no naufrágio de seu navio, a dor não parou. Por uns dias pensei em esperar ele nascer novamente para continuar a vingança. Depois, outras dores me fizeram esquecer.

A dor era tanta que não tive opção senão me tornar parte dela. E foi assim que vim parar aqui, acho. Não me lembro mais, e prefiro não me lembrar, dos caminhos que me trouxeram até aqui. Os olhos que me olham do espelho estão chorando. Me surprendo com meu gemido baixo, e meus soluços. E então choro inteira, lavando o que restou da maquiagem que já estava borrada.

Batem na porta e me xingam. Estão com pressa para que eu me apresente novamente para eles. Quando me olho novamente no espelho, tenho medo de mim.

Chegou a hora de me apresentar para eles, então. Sorrio. Eles se esqueceram de mim, e agora é hora de lembrá-los.”

Não me perguntem o que é. Eu também não sei.

Talvez um esboço, um fragmento. Algo que Ela mandou para avisar que existe. E Ela vai voltar.

“Se eu soubesse desenhar, nunca teria começado a escrever”
~ Patrícia Nardelli, com quem me identifico muito.

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O fragmento número três se perdeu. Dele me lembro apenas três pequenas passagens, que reproduzo abaixo.

“[…]A estrada dos tijolos cinzentos, que cruza as terras mortais de Fínne, é talvez a única estrada nas ilhas que sempre nos leva aos mesmos lugares. Isso faz dela uma estrada estranha para quem mora na região.

[…]

Ela vinha miúda pela estrada. Seus cabelos muito vermelhos contrastando com o verde das urzes e com o cinzento profundo de seu manto. Naquela primeira vez que a encontrei, ela rumava para o Bosque dos Príncipes. Queria se encontrar com a Velha Coruja. Dizia que era parte de sua iniciação como mulher-que-sabe-das-coisas. Não sabia na época que havia entre os pequeninos mulheres-que-sabem-das-coisas, ou mesmo aspirantes a este caminho. Partilhamos à beira de uma fogueira um pão de estrada e um resto de frutas cristalizadas que ela trazia envoltas em um pano azul dentro de seu alforje, que era grande demais para ela. Se recusou a comer carne de caça, e achei melhor não fazê-lo também. Foi a primeira vez que a ví, mas foram nossos outros encontros que a tornaram inesquecível. Espero que ela esteja bem agora, onde quer que esteja.

[…]

Era um homem muito triste. Trazia uma grande trouxa de bagagem nas costas e me parou educadamente pedindo direções. Parecia ignorar que a estrada de tijolos cinzentos o leva sempre aos mesmos lugares, pois me perguntou se naquele dia era possível chegar a Setestrelas se tomando o desvio à direita. […] Quando perguntei por quê estava deixando a capital, ele me disse gravemente que só se deve deixar um lugar quando os motivos para se querer ir embora não forem mais compensados pelos motivos para se querer ficar. Insistí, e ele simplesmente me disse que não morava mais lá, e calou. Eu também silenciei quando me perguntou de onde eu vinha. De certa forma, me parecia que por mais que andasse estava sempre em um lugar muito familiar, e não fazia mais para mim sentido algum dizer que um dia vim de algum lugar.”

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“Entiende, ningún árbol ha crecido debajo de otro árbol.
Deja al Norte en el Norte.
Y recuerda que estás al Sur, latino, abajo”.

fragmento de poesia do último livro de Samuel Villegas, citado por Julia Márquez Otero em seu blogue Letras en la Red (extraído deste artigo no Global Voices em Português).

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Hoje aprendí uma ou duas coisas sobre a justiça e a sociedade dos gatos. Ainda me intrigo com algumas de suas particularidades, e de suas desconfortáveis semelhanças com nossas loucuras. Talvez tenhamos enlouquecido nossos gatos, ou eles simplesmente entendam algo, saibam de alguma coisa, que nem sequer desconfiamos em nossa soberba.

Seja como for, gatos que gatos são se resolvem entre si, e eu não tenho nada a ver com isso. Só os gatos sabem realmente os segredos da própria natureza…


Fionna, rainha da colina (de bagunça).

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Cut Here – The Cure

“So we meet again!” and I offer my hand
All dry and English slow
And you look at me and I understand
Yeah it’s a look I used to know
“Three long years… and your favourite man…
Is that any way to say hello?”
And you hold me… like you’ll never let me go

“Oh c’mon and have a drink with me
Sit down and talk a while…”
“Oh I wish I could… and I will!
But now I just don’t have the time…”
And over my shoulder as I walk away
I see you give that look goodbye…
I still see that look in your eye…

So dizzy Mr. Busy – Too much rush to talk to Billy
All the silly frilly things have to first get done
In a minute – sometime soon – maybe next time – make it June
Until later… doesn’t always come

It’s so hard to think “It ends sometime
And this could be the last
I should really hear you sing again
And I should really watch you dance”
Because it’s hard to think
“I’ll never get another chance
To hold you… to hold you… “

But chilly Mr. Dilly – Too much rush to talk to Billy
All the tizzy fizzy idiot things must get done
In a second – just hang on – all in good time – wont be long
Until later…

I should’ve stopped to think – I should’ve made the time
I could’ve had that drink – I could’ve talked a while
I would’ve done it right – I would’ve moved us on
But I didn’t – now it’s all too late
It’s over… over
And you’re gone..

I miss you I miss you I miss you
I miss you I miss you I miss you so much

But how many times can I walk away and wish “If only…”
But how many times can I talk this way and wish “If only…”
Keep on making the same mistake
Keep on aching the same heartbreak
I wish “If only…”

But “If only….”
Is a wish too late…

Esta é para quem foi embora para nunca mais voltar.

A gente sempre acha, mesmo que finja que não, que poderia ter feito alguma coisa para fazer tudo ser diferente. “Eu poderia ter procurado ele mais vezes”, “poderia ter percebido que seu coração estava partido”… “poderia até ter adivinhado, afinal de contas eu não advinho as coisas?”.

Tudo tolice. A vida é como é, e as pessoas seguem pelos caminhos que seguem.
É claro que tudo poderia ter sido diferente, mas as coisas foram como foram.
Resta-nos seguir em frente…
Os que foram, e os que continuam aqui.

Vai em paz, meu amigo.


P.S. Adivinhação mórbida ou coincidência, coloquei esta música, que andava quase esquecida, nos meus vídeos preferidos do Orkut no mesmo dia em que dizem que ele decidiu ir embora…

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Cut Here – The Cure

“So we meet again!” and I offer my hand
All dry and English slow
And you look at me and I understand
Yeah it’s a look I used to know
“Three long years… and your favourite man…
Is that any way to say hello?”
And you hold me… like you’ll never let me go

“Oh c’mon and have a drink with me
Sit down and talk a while…”
“Oh I wish I could… and I will!
But now I just don’t have the time…”
And over my shoulder as I walk away
I see you give that look goodbye…
I still see that look in your eye…

So dizzy Mr. Busy – Too much rush to talk to Billy
All the silly frilly things have to first get done
In a minute – sometime soon – maybe next time – make it June
Until later… doesn’t always come

It’s so hard to think “It ends sometime
And this could be the last
I should really hear you sing again
And I should really watch you dance”
Because it’s hard to think
“I’ll never get another chance
To hold you… to hold you… “

But chilly Mr. Dilly – Too much rush to talk to Billy
All the tizzy fizzy idiot things must get done
In a second – just hang on – all in good time – wont be long
Until later…

I should’ve stopped to think – I should’ve made the time
I could’ve had that drink – I could’ve talked a while
I would’ve done it right – I would’ve moved us on
But I didn’t – now it’s all too late
It’s over… over
And you’re gone..

I miss you I miss you I miss you
I miss you I miss you I miss you so much

But how many times can I walk away and wish “If only…”
But how many times can I talk this way and wish “If only…”
Keep on making the same mistake
Keep on aching the same heartbreak
I wish “If only…”

But “If only….”
Is a wish too late…

Esta é para quem foi embora para nunca mais voltar.

A gente sempre acha, mesmo que finja que não, que poderia ter feito alguma coisa para fazer tudo ser diferente. “Eu poderia ter procurado ele mais vezes”, “poderia ter percebido que seu coração estava partido”… “poderia até ter adivinhado, afinal de contas eu não advinho as coisas?”.

Tudo tolice. A vida é como é, e as pessoas seguem pelos caminhos que seguem.
É claro que tudo poderia ter sido diferente, mas as coisas foram como foram.
Resta-nos seguir em frente…
Os que foram, e os que continuam aqui.

Vai em paz, meu amigo.


P.S. Adivinhação mórbida ou coincidência, coloquei esta música, que andava quase esquecida, nos meus vídeos preferidos do Orkut no mesmo dia em que dizem que ele decidiu ir embora…

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Me afogando em letras e morrendo de vontade de pescar um pouco, para desanuviar as idéias…

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