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Archive for fevereiro \27\UTC 2010

Meu amigo Fábio Fernandes (que agora bloga neste blogue aqui) é um cara cheio de surpresas. Depois de publicar algumas (fantásticas) histórias curtas fantásticas no Overmundo (lá nos doces idos de 2007) e traduzir boa parte da fina flor artificial da ficção científica estrangeira publicada no Brasil, meu amigo Fábio Fernandes (que é também um de meus ídolos, mas não conta pra ele não!) agora vai traduzir Hellblazer e Y: the Last Man para o português. Engraçado que, se você me perguntasse a uns meses atrás qual seria a pessoa mais adequada no Brasil para traduzir estes títulos, eu responderia sem titubear: o ciborgue carioca de São Paulo: Fábio Fernandes. E não deu outra!

E já que estamos falando do Fábio, segue abaixo um trecho de “Para nunca mais ter medo” — uma de suas melhores histórias curtas de ficção científica, publicada originalmente na revista Dragão Brasil número 11, em 1995, e tida por algum como “o primeiro conto de ficção científica brasileiro a explorar o subgênero de Ficção Alternativa”.

Marta era muito bonita viva. Mas conseguia estar ainda mais linda depois de ressuscitada.

Eu estava terminando um café no foyer do Centro Cultural Banco do Brasil quando ela chegou. Os olhos pretos, elétricos, me procuravam feito loucos no meio da multidão que não parava de chegar. Ela hesitava. Pensei em ajudá-la, mas me lembrei do que os médicos costumam recomendar nesses casos: não trate o ressuscitado como um doente. Depois da alta, ele está tão bem quanto qualquer pessoa em sua primeira vida, talvez até mais. Esperei.

E então ela me encontrou. A boca se abriu num sorriso, e seus dentes perfeitos me trouxeram de novo a sensação de normalidade, de que tudo realmente era como antes.
Sorri aliviado.
Não resisti à tentação. Assim que ela se aproximou de mim, tomei-a pelas mãos e cantei baixinho, só para ela ouvir:
– Talvez, quem sabe, um dia, pela alameda do zoológico ela também chegará…
– O século trinta vencerá… – ela emendou.
– Ela e tão linda que por certo eles a ressuscitarão – terminei em seu ouvido. E nos
abraçamos.
Ela chorou. E eu também. Ressuscitar nunca é fácil.
(…)

Como diz o próprio Fábio, “Escrever dói”. A gente bem sabe disso. E é por isso que não pode deixar passar em branco um uso tão bom desta dor. Parabéns pelo sucesso, cara! Beberemos a isso um dia!

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Nossa mais poderosa ferramenta, ou arma, é a imaginação. Não apenas a nossa imaginação, mas o nosso poder de afetar as imaginações alheias. Aquilo que imaginamos, sós ou em conjunto, aos poucos começa a se materializar ou transformar a realidade que nos cerca. Mundos, idéias e realidades surgem e desaparecem na medida que são imaginados ou abandonados pela imaginação.

O poder sobre a imaginação era a benção do contador de histórias. A chama divina da subcriação na qual era forjada a (constante) criação. E esta chama foi roubada e entregue a quem dela desejava fazer usos torpes e nefastos. Nossos prometeus andam livres enquanto nós estamos agrilhoados à rocha, sorvendo sua bile. São os senhores desta dita “sociedade da informação”.

As mais nefastas criações do homem são aquelas que aprisionam a imaginação das pessoas, e as conduzem pelos caminhos esperados pelo senhor das imaginações agrilhoadas. E estas armas sutis são tantas, e por vezes tão disfarçadas, que seu poder e o risco que representam para nós é indizível. Será que a sua imaginação é livre, ou serve aos interesses daqueles que se arrogam o poder de dominar as imaginações alheias para seus próprios fins?

Triste uso foi dado ao poder sagrado da palavra e do contar histórias. Oppenheimer e sua bomba atômica são uma mera sombra ante esta arma mil vezes mais poderosa (e mil vezes mais sutil) que é a narrativa. E enquanto isso, contamos histórias tristes sobre nossa destruição.

Que merda é essa, mano?

Eu quero o meu mundo de volta nesse mundo.

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”      (…) Os cristãos procuraram acabar com toda a sabedoria que não fosse a sua, e na luta para conseguir isso, estão banindo do mundo todas as formas de mistério, exceto as que se harmonizam com a sua fé religiosa. Consideraram heresia pensar que os homens têm mais de uma vida, o que qualquer camponês sabe ser verdade.

— Mas sem acreditar em mais de uma vida, como evitar o desespero? — protestou Igraine. — Que deus justo criaria homens desgraçados ao lado de outros felizes e prósperos, se todos tivessem apenas uma vida?

— Não sei — respondeu Merlim. — Talvez queiram que os homens se desesperem com a dureza do destino, para que procurem de joelhos o Cristo, que os levará ao Céu. Não sei o que acreditam os seguidores do Cristo, ou o que esperam.

Seus olhos fecharam-se por um momento, os traços de seu rosto tornaram-se mais amargos.

— Mas quaisquer que sejam as suas convicções, elas estão mudando este mundo. Não só em espírito, mas também no plano material. Como negam o mundo do espírito, e o reino de Avalon, esses reinos deixam de existir para eles. Ainda existem, é claro, mas não no mesmo mundo dos seguidores de Cristo. Avalon, a ilha sagrada, já não é mais a mesma ilha que Glastonbury, onde nós, da Fé Antiga, permitimos, certa vez, que os monges construíssem sua capela e seu mosteiro. (…)

(…) Em nosso mundo, Igraine, há espaço para muitos deuses e muitas deusas. Mas no universo dos cristãos — como dizer isso? — não há lugar para a nossa visão e a nossa sabedoria. No mundo deles, há apenas um deus; não só esse deus deve conquistar todos os outros, mas também deve fazer como se não houvesse outros deuses, como se não tivesse havido nunca outros deuses e sim falsos ídolos, obra do diabo. E isso para que, acreditando nesse deus único, todos os homens possam ser salvos nesta única vida. É assim que pensam. E o mundo é a projeção daquilo que os homens acreditam. Portanto os mundos que antes eram um só se estão separando…”

Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley.
livro 1: “A Senhora da Magia”. pp. 14-15 da 6ª edição brasileira, ed. Imago.

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Não é a primeira vez que chamo a atenção para as excelentes traduções de obras de H.P. Lovecraft publicadas por Viktor Chagas lá no Overmundo. Mas um misto da necessidade de tê-las listadas em algum lugar e do prazer de reapresentar o excelente trabalho de meu amigo Viktor, que entre outras coisas é um excelente tradutor, me levaram a fazer um post listando suas traduções de Lovecraft publicadas no Overmundo.

Além disso, ainda há a excelente ficção inspirada por Lovecraft publicada pelo Viktor lá no Overmundo:

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A correria dos últimos dias acabou me deixando sem tempo sequer para olhar para meus blogues.

Não é que falte assunto. Pelo contrário, tenho me envolvido com uma miríade de coisas bem interessantes — desde o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos canais de comunicação do Sebinho (este twitter, este outro twitter, e o futuro blog), passando pela minha colaboração com o pessoal do Kiaulles (que está só começando mas já me enche de alegria), até as fantásticas leituras que me andam caindo nas mãos, e as idéias de histórias que me vem passando pela cabeça…

Difícil é o tempo pra falar sobre tudo isso. Mas tá rolado.

Não temam. Não teremos um outro hiato não. São apenas alguns dias corridos mesmo.

E para o post ficar mais bonitinho, aí vai mais um vídeo dos Kiaulles.

Improviso Escocês, segundo a legenda, no AnimeGO.

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Poucas coisas são mais difíceis para mim do que conseguir dormir decentemente durante a noite.

Quando não é a insônia que ataca, ou mesmo aquelas crises de cabeça que não para de matutar e encontrar correlações (que não te deixa dormir profundamente) tem ainda a enorme quantidade de coisas que quero ler, escrever, criar e aprender ao longo das silenciosas madrugadas.

A verdade é que a madrugada me deixa mais criativo, irriquieto e cheio de disposição do que o dia. Aliás… durante o dia… bem que eu poderia dormir. :)

P.S. consegui resistir à tentação de transcrever mais algumas páginas do Acorda Para Sonhar para o computador agora. Vou tentar dormir. Mas me cobrem… me cobrem mesmo… que eu publique mais algumas páginas em breve. Transcrever e publicar é a outra ponta, e igualmente importante, do escrever. Se eu transcrevo e publico, eu tenho mais estímulo para escrever. E por falar em escrever, enquanto continuo escrevendo aqui as horas voam… Deixaeudormir. =)

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Kiaulles

Ainda era outubro de ano passado quando a @Yaso me falou pela primeira vez deles. Achei interessante a idéia de ajudar o pessoal do Kiaulles com a divulgação na rede. A idéia ficou guardada no armário no meio das tempestades que se seguiram e, agora que retorna a calmaria e os céus bonitos, resolvemos retomar a proposta.

Hoje conversei com o @Caetanorojas (do Kiaulles, que quer dizer “Músicos” em Gaélico escocês) e com a @Yaso durante o almoço aqui no Sebinho, e imediatamente surgiram dezenas de idéias de colaboração, divulgação, música e festejo. Acho que esta será uma parceria que vai nos trazer grandes alegrias, até porque…

Os Kiaulles são ducaralho!

Rouges of Scotland, pelos Kiaulles no Mittelalter (Brasília)

The Hook, de J.J.Milteau, pelo Kiaulles (Caetano Rojas, Luiz Duarte e Leonardo Kraus), no Clube do Choro de Brasília.

Mais sobre eles, em breve.

~

Em tempo… toda essa música, e o retorno aos escritos, e toda as outras pequenas e grandes coisas que vem acontecendo em minha vida estão finalmente me “trazendo de volta”. Há muito tempo não me sentia tão bem.

Que siga a festa.

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