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Archive for junho \25\UTC 2010

Dica da @sulains, que me deixou muito lisongeado com seu elogio. Achei também o conceito tão interessante que não podia deixar de reproduzí-lo (e guardá-lo) neste meu caderno. O texto foi retirado daqui e sua autoria é atribuída a Marta Medeiros (pra onde linkar?)

Os “habitados” são seres com conteúdo, preenchidos de angústias e incertezas, mas não menos felizes por causa disso.
Estava conversando com uma amiga, dia desses. Ela comentava sobre uma terceira pessoa, que eu não conhecia. A descreveu como sendo boa gente, esforçada, ótimo caráter. “Só tem um probleminha: não é habitada”. Rimos. É uma expressão coloquial na França – habité – mas nunca tinha escutado por estas paragens e com este sentido. Lembrei de uma outra amiga que, de forma parecida, também costuma dizer “aquela ali tem gente em casa” quando se refere a pessoas com conteúdo.

Uma pessoa pode ser altamente confiável, gentil, carinhosa, simpática, mas se não é habitada, rapidinho coloca os outros pra dormir. Uma pessoa habitada é uma pessoa possuída, não necessariamente pelo demo, ainda que satanás esteja longe de ser má referência. Clarice Lispector certa vez escreveu uma carta a Fernando Sabino dizendo que faltava demônio em Berna, onde morava na ocasião. A Suíça, de fato, é um país de contos-de-fada, onde tudo funciona, onde todos são belos, onde a vida parece uma pintura, um rótulo de chocolate. Mas falta uma ebulição que a salve do marasmo.

Retornando ao assunto: pessoas habitadas são aquelas possuídas, de fato, por si mesmas, em diversas versões. Os habitados estão preenchidos de indagações, angústias, incertezas, mas não são menos felizes por causa disso. Não transformam suas “inadequações” em doença, mas em força e curiosidade. Não recuam diante de encruzilhadas, não se amedrontam com transgressões, não adotam as opiniões dos outros para facilitar o diálogo. São pessoas que surpreendem com um gesto ou uma fala fora do script, sem nenhuma disposição para serem bonecos de ventríloquos. Ao contrário, encantam pela verdade pessoal que defendem. Além disso, mantêm com a solidão uma relação mais do que cordial.

Então são as criaturas mais incríveis do universo? Não necessariamente. Entre os habitados há de tudo, gente fenomenal e também assassinos, pervertidos e demais malucos que não merecem abrandamento de pena pelo fato de serem, em certos aspectos, bastante interessantes. Interessam, mas assustam. Interessam, mas causam dano. Eu não gostaria de repartir a mesa de um restaurante com Hannibal Lecter, “The Cannibal”, ainda que eu não tenha dúvida de que o personagem imortalizado por Anthony Hopkins renderia um papo mais estimulante do que uma conversa com, sei lá, Britney Spears, que só tem gente em casa porque está grávida. Zzzzzzzzzzz.

Que tenhamos a sorte de esbarrar com seres habitados e ao mesmo tempo inofensivos, cujo único mal que possam fazer é nos fascinar e nos manter acordados uma madrugada inteira. Ou a vida inteira, o que é melhor ainda.

p.s. ainda é motivo de debate se o conceito de “pessoas habitadas” seria uma forma mais complexa e intrigante de pessoa “TRÚ”, e se teria alguma relação com o conceito espanhol de “ter duende”. A área de comentários está aí para receber suas opiniões. =)

p.p.s. o conceito de pessoa “TRÚ” é fugidio, sendo sua melhor expressão uma referência circular tipicamente brasiliense: “Pô véi. Uma pessoa TRÚ é uma pessoa que é TRÚ, saca?”.

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Sonhei que nem todo o tempo do mundo é suficente para que partilhemos as palavras, imagens, referências e fragmentos da divindade que colhemos ao longo da vida e que nos fazem sonhar…

Fiquei com vontade de partilhar ao menos algumas músicas, alguns vídeos do Enigma, que me fizeram e fazem sonhar. Assistam se assim lhes aprouver.

Enigma – Beyond the Invisible: http://www.youtube.com/watch?v=idZ0qgGZpb0
Enigma – Gravity of Love: http://www.youtube.com/watch?v=aSTV99Uy8hk
Enigma – Return to Innocence: http://www.youtube.com/watch?v=Rk_sAHh9s08
Enigma – Why: http://www.youtube.com/watch?v=A_hp2ubJaNo
Enigma – Silent Warrior: http://www.youtube.com/watch?v=RB_qsKGjTrg
Enigma – Between Mind and Heart: http://www.youtube.com/watch?v=o3JjjSuwEpg
Enigma – Out of the Deep: http://www.youtube.com/watch?v=qfTEusEJ93A
Enigma – Age of Loneliness: http://www.youtube.com/watch?v=APW_QwzGg2o
Enigma – T.N.T. for the Brain: http://www.youtube.com/watch?v=_JrklveW64U
Enigma – Child in Us: http://www.youtube.com/watch?v=D-jk-iovNNI

Em nenhuma ordem em particular…
Pois o caos tem suas próprias configurações, que deixariam boquiabertos aqueles que são viciados pela ordem.

E agora eu posso voltar a dormir e sonhar tranquilamente.

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Aproveitei a gripe que me deixou de molho em casa para colocar em dia minhas leituras, incluindo as leituras sobre cultura celta que eu sempre procurava (sem nunca encontrar) um momento para realizar…

Seguindo a senda-linkania iniciada no blog do @Neolugh, o Canal Celta, acabei descobrindo mais dois blogues: o Casa Celta e o Parahyba Pagã. Confesso que o segundo me pareceu  bem melhor e mais bem realizado do que o primeiro, embora qualquer iniciativa de divulgação da cultura pagã e celta seja em si só extremamente válida.

E é justamente neste Parahyba Pagã que encontrei muitos textos interessantes (embora, como todo texto interessante, sejam questionáveis em vários aspectos). Cito abaixo dois que me chamaram atenção logo nas primeiras páginas do blogue:

Camara Cascudo?

Luís da Câmara Cascudo do estado irmão vizinho nosso ao norte, é um autor que os pagãos paraibanos e norte-riograndenses devem ler. E não só ler, mas aproveitar. (…) Alguns contos como ‘Os compadres corcundas’, ‘A princesa de Bambuluá’ e a ‘Princesa e o Gigante’, assim como grande parte dos Contos de Encantamento, ecoam as narrativas medievais à la Mabinogion. Claro, mas destituidos das caracterizações mitológicas mais abrangentes que as tornam parte de um sistema. Em todo caso, grande parte dos contos são incrivelmente pagãos e muitos são facilmente “isoláveis” do cristianismo medieval incrsutado. Há presença de encontros com o ‘povo das fadas’ análogos com vários contos das narrativas célticas insulares, por exemplo; as circunstâncias e consequências são simplesmente inspiradores.
Penso que ‘repaganizar’ tais contos para utilizá-los como são tradicionalmente utilizados, na formação de nossos filhos, é algo de extrema valia. É harmonizar o Regionalismo com a Tradição pagã ancestral. É um projeto longo, e não penso que seja necessário escrever volumes densos para justificar tal manobra em termos teóricos e inatacáveis. Apenas gostaria de chamar atenção do povo Neopagão da Paraíba e de nossos irmãos do RN para a rica tradição recolhida pelo Sr. Câmara Cascudo. (leia o post inteiro no Parahyba Pagã)

Linguas e Cosmovisões

Enquanto traduzo a parte Labara do livro online Land, Sky and Sea – me deparo com uma tese um tanto interessante: a de que certos termos de uma língua são essencialmente intraduzíveis. No geral, considera-se que línguas possuem esquemas conceituais incomensuráveis, ponto-chave do que convencionou-se chamar de Relativismo Lingüístico. Segundo José Medina (2007, p. 140) tal concepção foi desenvolvida por Edward Sapir e Benjamin L. Whorf na primeira metade do século XX, tendo a formulação da hipótese da relatividade lingüística como sendo:

…a idéia de que nós pensamos e experimentamos o mundo de acordo com a língua que falamos, e que nosso pensamento, nossa experiência e nossa realidade é relativa, em função da nossa língua e pode não ser compartilhada com falantes de outras línguas. De acordo com Sapir e Whorf, línguas que sejam substancialmente diferentes (as que possuem raízes históricas diferentes – línguas indo-européias e línguas ameríndias, por exemplo) contêm diferentes sistemas metafísicos que dividem o mundo de modos diferentes, isto é, de acordo com diferentes princípios de individuação, que reconhecem diferentes conjuntos de entidades (ontologias diferentes). Idem. (leia o post inteiro no Parahyba Pagã)

Seguem as leituras e releituras. Não dá para registrar aqui todos os blogues pelos quais estou passando, mas se alguém mais quiser me acompanhar em minhas leituras, podemos trocar umas figurinhas…

P.S. tenho que comprar amanhã mesmo aquele livro do Câmara Cascudo que há tempos namoro lá no Sebinho…

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Son(o)

Agaetis Byrjun – Sigur Rós – pode ser a salvação e a beleza em uma noite insone: http://tinyurl.com/29mxb35

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Ooops… =)

Acabei de perceber que esqueci de revisar a publicar o velho “Vigília”, que estava em minha lista, e o fragmento que dá seguimento ao “Acorda Para Sonhar” a partir do ponto em que terminou o primeiro fragmento…

Publico logo que possível…

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Mais um fragmento que pode ou não ser parte de “Acorda para Sonhar”…

…”era difícil enxergá-lo através da névoa do sonho. Não é como se ele não estivesse ali, mas sim como se naquelas condições o seu estar fosse inclompleto…
Não havia muito tempo para perguntar tudo que queria. Lembrava-se do outro sonho, quando ficara falando sozinho. Disparou a pergunta que mais o inquietava.
– Por que isso tudo está acontecendo? Qual o motivo do Dessonhar?
Dánloth sorriu, e sua imagem ficou ainda mais tênue na névoa.
Por um momento pensou que ele iria embora sem responder a pergunta. Mas ele o fez, e sua voz tinha tom de quem achava graça da pergunta:
– A imaginação flui, sempre. Ela não pode se estagnar. E todo fluxo traz no seio o fim de si mesmo e de um novo início. Até os Deuses morrem e renascem. E eu acho que já vou tarde…
Rodrigo ficou perplexo com a resposta. As névoas se fechavam, e Dánloth parecia ir embora sem dar um passo, desaparecendo. Mas depois de sumir, ainda se podia ouvir sua voz ao longe, confundida com o vento:
– Wottan me disse uma vez que os deuses são todos mentirosos, mas que nossas mentiras são tão reais quanto qualquer verdade, se as deixarem ser. Todos nós fomos enganados e transformados pelas mentiras de alguns deles…
Rodrigo sabia que ele estava falando d’Ele. Se já não era grande fã dos cristãos antes, agora sua fúria encontrava um sentido que dava a ela forma e cor. Sentiu-se mal, e levantou-se desajeitado da cama. Não teve tempo de chegar até o banheiro. O vômito saltou dele com pressa, espirrando no chão e na parede do quarto. Mas sentiu-se estranhamente melhor depois disso. Do chão, o vômito cheio de ódio quase parecia cantar para ele…”

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fluxo…

Por vezes não tem porque:
é assim e simplesmente é.
acontece! não discuta.
apenas deixa fluir.

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