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Archive for janeiro \21\UTC 2011

your message here

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sobre o vazio

desistindo de fugir, resolvo olhar nos olhos do vazio.
acompanho seus contornos invisíveis,
sua discreta estrutura e seu fluxo.

descobri que o vazio não é o nada.
o vazio é aquilo que a gente não pode viver
enquanto está apegado ao resto do mundo.

abro a porta e vou passear no parque com o vazio.
vou mostrar minhas árvores prediletas ao vazio.
convidar o vazio pra almoçar.
levá-lo comigo.

deve haver alguma magia
em se transformar a ausência
em companhia.

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a presença

a sua ausência se faz presente
em cada canto da minha casa.

 

não há onde me exilar.

 

não sei mais o que me pertence
e o que apenas usurpei de alguém em mim
que era melhor do que eu.

 

sou um intruso em minha própria vida,
submetido ao jugo da ausência e do vazio
que reinam agora entre estas paredes.

 

me tornei a minha própria ausência.
tudo que há aqui é ausência.
a única presença que resta não é a minha
e não há onde me exilar.

 

 

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the fool

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a sensação do vazio.

Ao despertar os dedos se esticam para o vazio.
Tocam o nada e se recolhem para cobrir os olhos
que não aguentam mais olhar para o vazio.
Tudo está vazio. Até o sol que entra pela janela
é vazio.
Escuto o silêncio. Tantas vozes gritando dentro de mim
sem conseguir quebrá-lo.
Não há nada para se ver aqui.
É apenas a morte fazendo seu trabalho.

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Para Ele(s).

A Canção do Delirante Aengus
(1899)
Eu fui para uma floresta de nogueiras,
Porque minha mente estava inquieta,
Eu colhi e limpei algumas nozes,
E apanhei uma cereja, curvando o seu fino ramo;
E, quando as claras mariposas estavam voando,
Parecendo pequenas estrelas, flutuando erráticas,
Eu lancei framboesas, como gotas, em um riacho
E capturei uma pequena truta prateada.

Quando eu a coloquei no chão
E fui soprar para reativar as chamas,
Alguma coisa moveu-se e eu pude ouvir,
E, alguém me chamou pelo meu nome:
Apareceu-me uma jovem, brilhando suavemente
Com flores de maçãs nos cabelos
Ela me chamou pelo meu nome e correu
E desapareceu no ar, como um brilho mais forte.

Talvez eu esteja cansado de vagar em meus caminhos
Por tantas terras cheias de cavernas e colinas,
Eu vou encontrar o lugar para onde ela se foi,
E beijar seus lábios e segurar suas mãos;
Caminharemos entre coloridas folhagens,
E ficaremos juntos até o tempo do fim do tempo, colhendo
As prateadas maçãs da lua,
As douradas maçãs do sol.

O Escolhido da Fada
(1899)
O cavaleiro vinha de Knocknare
E, quando cruzava os áridos campos de
YeatsClooth-na-bare; ele sentia
Caolte agitando seus cabelos ardentes
E Niamh chamando Venha, Venha para cá
Esvazie seu coração de seu sonho mortal.
Os ventos acordaram, as folhas giram pelo ar,
Nossas faces estão descoloridas,
Yeatsnossos cabelos estão soltos,
Nosos peitos estão arfantes,
Yeatsnossos olhos tem um brilho fugidio,
Nossos braços estão acenando,
Yeatsnossos lábios estão entreabertos;
Venha! E se alguém olhar sobre
Yeatsnosso tão desejado vínculo,
Nós estaremos entre ele e os feitos das suas mãos,
Nós estaremos entre ele e as esperanças
Yeatsde seu coração.
O cavaleiro está seguindo velozmente ‘entre noites e dias’,
E, onde poderá haver esperanças ou feitos tão
Yeatsapraziveis e belos?
Seu companheiro Caolte agitando seus cabelos de fogo,
E Niamh chamando Venha, Venha para cá.

Que os Deuses os tenham junto a si,
e que um dia voltem, se assim tiver que ser, para agraciar o mundo com seu amor.

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