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Archive for the ‘magia’ Category

The Wild Wood Enchantment.

Enter the Wild Wood!

Find your healing bag

and become your own healer.

Become the weaver

of the infinite threads

of fate

and myth.

Believe in Magic!

 

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Estava escuro. A dor era algo abstrato, presente e sem lugar. Apenas sentia. Por tudo que se lembrava, havia acabado de despertar. Fora de hora, no meio da noite. Sonhara? Não sabia. Estava escuro e estava doendo, e ele estava com medo. Tentou dormir de novo, mas não conseguia. A dor permanecia, como uma companheira que precisa falar e não te deixa dormir. Ele se resignou a apenas ficar lá, no escuro, e ouvir a dor.

A dor falou de descaso. Falou das farças que a gente encena para nós mesmos. Falou de fuga, e vício, e entrega. Falou de escolhas. Ou isto era apenas sua cabeça passeando enquanto a dor apenas falava sua língua de latejos e pulsos cortantes.

O que você sabe sobre os deuses? Ele quase podia ouvir a voz, mas sabia que vinha de dentro. Não havia mais ninguém dali afora àquela hora. O que sei sobre os deuses? Sabia. Sabia um monte de coisas. Mas o que sabia não o serve mais. É no escuro e na dor a melhor hora para começar a reaprender.

Os Deuses estão todos dentro de nós. São parte de nós, assim como somos parte deles. Muitos se esquecem disso. Na verdade, os Deuses são nós. Nós de sentidos, de imagem e imaginação. São confluências, rostos, presenças. São absolutamente reais em sua própria forma de serem reais. Assim como nós. O resto pode muito bem ser ilusão, pois é de outro mundo. Um mundo que é bem menos parte de nós, e nós dele, porque foi inventado. Só os deuses já estavam lá mesmo antes de serem inventados. Eles só aceitaram as roupas que ganharam de nós. E nós nos demos os Deuses da mesma forma que nos demos aos Deuses. Deuses são a experiência da divindade, como dela nos lembramos, como a ela conhecemos.

Quais são os seus Deuses? Ele podia novamente ouvir a voz, mas sabia que vinha de dentro. Tentou pensar em todos os Deuses que conhecia, e todos eles pareciam apenas lembranças estéreis. Mas ele entendeu. Estas são lembranças estéreis, de segunda mão. São apenas histórias. Quais são os seus Deuses? Quais são os rostos que você enxerga simples e naturalmente.

E então o portal se abriu, e ele enxergou seus Deuses.
E soube então qual era o caminho. E a cura fazia parte dele.

Om Namah Shivaiya. Om Namah Chandekayee. Jaya Jagatambe Eh Maa Durga, Maa Kalee.

Nós de sentido da divindade que é.

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Vivemos sob a égide da inconsciência por default. E não é para menos. A vida é corrida, e espreme cada momento ou lembrança de epifania para fora de nós. Rouba-nos também, ou nos faz furtar de nós mesmo, nosso tempo para ser. A vida moderna é uma corrida em direção a lugar nenhum, deixando para trás toda a bagagem que a gente não sabe como carregar.

Mas chega o momento em que a gente se pergunta se tudo aquilo que ficou para trás (e não deveria) não é justamente aquilo que nos era mais precioso. Quem é que não tem uma história de algo que fazia — ou alguém que era — e que ficou no passado, acolchoado em uma caixa mental de lembranças doces e difusas?

(mais…)

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Este texto foi escrito na época da palestra sobre Mitoreciclagem que realizamos no Campus Party 2009, no Encontrão Intergaláctico do Metareciclagem. Hoje me cutucaram para voltar a isso, e eu voltei. E foi bom. =)

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Eu gosto de pensar em mitos como narrativas. Histórias que nos são contadas, histórias que contamos para os outros e para nós mesmos. Mas não é qualquer tipo de história. Trata-se de uma história poderosa, que carrega dentro de sí peças do quebra-cabeças de nossa visão de mundo e de realidade. As histórias que ouvimos e as histórias que contamos, e as histórias que vivemos, definem aquilo que temos por real e imaginário, certo e errado, bom e ruim. Somos todos seres míticos, mesmo que nem sempre estejamos conscientes disso.

Muitas pessoas costumam associar os mitos a um tipo de narrativa fantástica, que sabemos ser fantasiosa — não real, e que é geralmente povoada por deuses e seres fantásticos. Estas histórias podem ser mitos, mas na maior parte dos casos elas não são os nossos mitos. Mas por confundir estas histórias fantásticas com mitos, acreditamos viver em uma época não-mítica — e eu acredito que esta é uma idéia equivocada.

Mitos são histórias, sim. Histórias que podem ser sobre qualquer coisa, mas das quais derivamos nossas idéias e sentimentos sobre como o mundo é, como as coisas acontecem, o que é certo e errado, real ou imaginário. Na maior parte dos casos, nossos mitos não são mais sobre deuses e seres fantásticos, forças da natureza ou feitos sobrenaturais. Estes são, na maior parte dos casos, mitos de outros tempos e povos que absorvemos em nossos caldeirões de histórias, mas que não podem mais ser considerados os nossos mitos.

Nossos mitos são sobre pessoas e seus feitos. São histórias sobre empresas, governos, organizações, e sobretudo sobre pessoas que podem ou não ser pessoas como nós. São histórias sobre máquinas e estruturas abstradas, como as leis ou os estados, e nossas relações com elas. Nossos mitos são sobre pessoas que trabalham duro e acumulam muito dinheiro, sobre como as empresas e os governos são poderosos — tem o poder de manufaturar produtos complexos e mandar direta e indiretamente em nossas vidas, mitos sobre pessoas corruptas que se dão bem, sobre como doenças estranhas podem surgir do nada e nos matar, mitos sobre como a classe social que nascemos define quem somos e o que podemos fazer. Nossos mitos são todas aquelas histórias que ouvimos e, acreditando completamente nelas ou não, absorvemos delas algo que vai fazer parte da dinâmica pintura maior que é a nossa visão do mundo.

Se em alguns povos os mitos vinham de sacerdores e xamãs, viajantes e contadores de histórias, os nossos mitos hoje chegam a nós por muitos meios diversos: desde as conversas com o amigo ou com a vizinha, passando pelas escolas que frequentamos, lugares onde trabalhamos, até chegar na imprensa, nas empresas cujos produtos consumimos e os governos que nos regem.

Quando o ministério da saúde exige que todas as embalagens de cigarros apresentem fotos que representam os males do cigarro associadas a dizeres sobre os efeitos nocivos dos mesmos, isso é uma forma de difusão mítica. Podemos desconsiderar estas fotos e dizeres, ou prestar atenção nelas, mas de um jeito ou de outro elas reforçam a idéia de que os cigarros causam doenças — coisas que hoje são inquestionáveis, mas das quais muitas pessoas duvidavam a pouco tempo atrás, quando estas mesmas afirmações de valor mítico eram recusadas e desmentidas pelas empresas de cigarro, interessadas no consumo dos mesmos. Este pode não ser o melhor exemplo (foi o que me ocorreu agora) mas é uma amostra de como nos são contadas histórias que de um jeito ou de outro definem o que é real para nós.

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“…Tudo é narrativa. Aquilo que estamos vivendo neste exato momento é uma narrativa que vertemos sob nós mesmos. Aquilo que nossos sentidos captam, aquilo que interpretamos do que percebemos, se transforma em uma narrativa para nós mesmos quando nos dizemos ‘estou vendo um computador, ele está ligado na minha conta de Gmail, estou lendo um email do Daniel Duende que fala sobre mitos, e ele fala o seguinte…’. Quando conversamos, isso também é uma narrativa de muitos níveis. Eu estou te narrando o que digo, ao passo que você narra para você mesmo o que ouviu do que eu disse. Ao mesmo tempo, você narra para mim aquilo que está sentindo, através de suas expressões faciais ou corporais, ou de eventais palavras de concordância ou discordância que você diga, e eu narro para mim mesmo aquilo que estou vendo você fazer e ouvindo você falar a respeito do que eu estou te dizendo. Ao mesmo tempo, quem nos escuta está narrando para si mesmo aquilo que seus sentindos estão captando, e na mesma medida contamos a nós mesmos sobre as reações daqueles que estão assistindo a conversa. Sob a mesma ótica, estou narrando para você aquilo que quero dizer com estas palavras, e você, narrando para si mesmo o que entendeu delas. Que tal me contar agora o que acha daquilo que eu disse?”

Palestra sobre Mitoreciclagem no Encontrão Intergalactico do Metareciclagem, no Campus Party de 2009

Baixe aqui o áudio da palestra.

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Eu sempre esqueço o poder da vontade, e do desejo. Esqueço também do poder dos laços de família, do poder do amor, do poder do eterno fluxo.

E a vida vem e me lembra de tudo isso.

E assim passam os dias.

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the fool

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Não é todo dia que cruzamos nosso caminho com o de outra pessoa que consegue caminhar contra o sol.

E quando acontece, a gente se lembra do poder que tem.
Nada é impossível para gente como nós.

A vida dança a nossa música,
quando a gente se lembra de cantar.

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