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Archive for the ‘poesia’ Category

Os grandes barcos afundam
nas inauditas tempestades de minha alma
que desabam tão longe da praia
que ninguém sabe delas, ou deles.

Os grandes projetos afundam e nada mais se sabe deles
no fundo do meu oceano.

Mas há sempre a esperança dos pequenos barcos
chegando na praia, carregados de histórias
e lembranças do mar.

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Axioma

“A parte mais difícil do amor não é amar, mas se permitir ser amado. É mais fácil ir até o inferno atrás de alguém do que abrir a porta do seu castelo para deixar a pessoa entrar. (E o mundo é cheio de amados em fuga, por vezes fugindo até o inferno).”

(existem dias em que eu tenho a impressão de que o script da minha vida foi escrito por Jim Butcher)

p.s. “I think… i like the Drama” ~ Donald Shimoda.

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e.e.cummings

somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me,i and
my life will shut very beautifully,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain,has such small hands

– e.e. cummings

(há anos eu procurava a poesia original)

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O que não sou.

…tantas vezes eu quis que não houvesse outro momento.

tantas vezes eu quis que tudo acabasse naquele exato segundo, ou que não houvesse mais nada depois que me fizesse pensar ou me importar. Tantas vezes eu quis que nada tivesse acontecido, e que nada mais acontecesse, para eu viver no limbo e fingir que não sou.

tantas vezes eu quis ser quem não sou, pra fazer o que não faço, saber o que não sei, não sentir o que sinto. Tantas vezes eu não quis ser quem eu sou, que até esqueci, tantas vezes, quem eu era.

Não sou o que eu não sou. E meus pés machucam a paisagem e se cortam, queira eu ou não. Queira eu ou não, eu sou apenas o que sou. E é a única pessoa que eu poderia ser. Desculpem de antemão, porque agora vou me perdoar.

Eu não sou o que eu não sou. E os meus erros são o preço dos meus acertos, minhas lágrimas o preço dos meus sorrisos, meus enganos o preço dos meus insights. A dor que eu causo é o preço do prazer que proporciono. A saudade é o preço de me conhecer, assim como o amor e o ódio.

E no fim das contas, eu não sou mais do que qualquer outro ser humano. Mas ser humano é assim.

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Ennui

Hoje eu preferiria a tolice ao ennui,
mas é tarde demais para a inocência.

Sinto saudades do tempo em que eu acreditava
na tangibilidade das coisas que são mais etéreas que o ar.

Minha tolice era a minha sabedoria.
Hoje eu só sei de coisas
e todas as coisas me entediam.

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sobre o vazio

desistindo de fugir, resolvo olhar nos olhos do vazio.
acompanho seus contornos invisíveis,
sua discreta estrutura e seu fluxo.

descobri que o vazio não é o nada.
o vazio é aquilo que a gente não pode viver
enquanto está apegado ao resto do mundo.

abro a porta e vou passear no parque com o vazio.
vou mostrar minhas árvores prediletas ao vazio.
convidar o vazio pra almoçar.
levá-lo comigo.

deve haver alguma magia
em se transformar a ausência
em companhia.

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a presença

a sua ausência se faz presente
em cada canto da minha casa.

 

não há onde me exilar.

 

não sei mais o que me pertence
e o que apenas usurpei de alguém em mim
que era melhor do que eu.

 

sou um intruso em minha própria vida,
submetido ao jugo da ausência e do vazio
que reinam agora entre estas paredes.

 

me tornei a minha própria ausência.
tudo que há aqui é ausência.
a única presença que resta não é a minha
e não há onde me exilar.

 

 

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