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Posts Tagged ‘acorda para sonhar’

Acordei com o estrondo que pensei ser um trovão. Não sabia de onde vinha toda aquela névoa e aquele vento. Fiquei confuso ao ver o céu vermelho e as nuvens cor de chumbo que galopavam na ventania. E havia mais estrondos, um atrás do outro. E o vento trazia um gemido que podia muito bem ser dele próprio.

Não me lembro como fui parar ali. Não me lembro também de onde vim, ou do que aconteceu antes. É como se tudo fosse começar ali, e estivesse apenas começando.

Percebi que estava de pé, e perdí o equilíbrio. Mas, estranho, toda aquela ventania que eu podia sentir na pele parecia não querer me derrubar. Sentia-me como um espectador de um espetáculo que ainda desconhecia. Um convidado. Especial…

Ouví um estrondo muito mais forte. Estremecí. Me voltei, e vi ao longe uma planície que se rachava ao meio e se desfazia em grandes torrões de terra, árvores gigantescas e outros detritos que eram arrastados pelo vento que gemia, desfazendo-se em poeira brilhante diante de meus olhos. Era belo e assustador. Grãos de poeira brilhante tocaram meu rosto. Pareciam gelados, mas era um frio agradável, e tinham um cheiro familiar que eu não conseguia recordar do que era. Fecho os olhos e estico os braços, tentando abraçar a poeira brilhante que me banha. Me sinto bem. Feliz e triste de um jeito estranho e ao mesmo tempo, e cheio de vigor.

– “Estou sonhando novos sonhos.”

Levo alguns momentos para entender que aquela não era minha voz. Naquele momento não sabia se quem falava era eu, pois bem poderia ter sido… eu acho. Abro os olhos e o vejo ao meu lado, familiar e estranho como só nos sonhos pode-se ser. Seus olhos eram do verde que dá sentido à cor, e seus cabelos (negros?) dançavam vigorosamente na ventania. Quem era ele, que eu sentia conhecer tanto mesmo sem saber dizer quem era?

– “Isto é o Dessonhar. É a forma voltando ao estado primordial para ser novamente tecida”, explicou. Era como se eu já soubesse.
– Por quê estou aqui?
– “Porque você faz parte da minha imaginação.”

Acordo com a sua voz e o barulho irritante do despertador nos ouvidos…

Tem mais, muito mais, e venho escrevendo quase todo dia. Só não me pergunte para onde vai.
Curiosamente só hoje li o Neil Gaiman falando que só conseguiu começar a escrever suas histórias até o fim quando descobriu que era normal não fazer idéia de onde elas iriam chegar, ou do que estava fazendo.

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