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Posts Tagged ‘alriada express’

Estas parecem ser semanas cheias de reencontros com meus velhos escritos, proporcionados por comentadores conhecidos ou desconhecidos. Depois de reencontrar os “Caminhos“, e meus escritos míticos sobre a tribo metarecicleira, foi a vez de reencontrar uma anotação blogada sobre a Cobra Preta que Mama, uma lenda do nordeste brasileiro. (aliás, encontrei aqui também uma referência à dita cobra)

A anotação é uma das milhares de notas que me seriam preciosas se eu as reencontrasse, feitas no meu velho blogue Alriada Express. O que é mais curioso é que neste exato momento eu estava debruçado sobre um “mito” que me veio à cabeça agora mesmo enquanto comia um hamburguer ali no Steve*. Logo que estiver colocado em palavras escritas, publico aqui o mito de Ingatú-sem-corpo.

*ainda tenho que um dia largar mão da inércia para escrever sobre a hamburgueria do Steve.
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(…) Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.

É preciso também não ter filosofia nenhuma. (…)

(…) Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito.

É preciso também que haja silêncio dentro da alma. (…)

(atribuído a Alberto Caeiro, que era pessoa e também Fernando Pessoa)

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Revirando mais um pouco os arquivos imaginários em busca dos fragmentos rebuscanos, encontrei uma velha poesia que volta a me encantar, sempre viva como o mar…

o salto do menino tritão.
“morrer é nascer. aprender é crescer. viver é transformar-se…

No barco dourado enfeitado com guirlandas, uma festa comedida navega.
Na esteira do mar feroz que ruge e cospe navega uma festa dourada
de família. No parapeito, sonhador, um menino sensível namora o mar.
As ondas o convidam, a imensidão do mar o seduz, não há nada no
mundo barco que o possa segurar…

Apenas os gritos o saúdam quando ele salta.
Gritos maternos e guinchos de gaivotas inexistentes se fundem,
no dia em que o jovem se uniu com o mar.

O que aos olhos do navegante é morte,
é para o menino tritão o início da vida.
Mudar de ambiente é uma questão de aprender a respirar…

Ele segue vivendo, além das fronteiras dos barcos,
descobrindo que a vida no mar é fêmea,
descobrindo o que é A Mar…

(uma homenagem a um sonho belo e assustador de Dona Graça).

Foi publicada originalmente no Alriada Express em maio de 2005, inspirada em um sonho que a Dona Graça teve com seu filho, o ‘anatólio’ Daniel Padua.

É curioso e encantador como esta poesia fala COMIGO até hoje.

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Revirando mais um pouco os arquivos imaginários em busca dos fragmentos rebuscanos, encontrei uma velha poesia que volta a me encantar, sempre viva como o mar…

o salto do menino tritão.
“morrer é nascer. aprender é crescer. viver é transformar-se…

No barco dourado enfeitado com guirlandas, uma festa comedida navega.
Na esteira do mar feroz que ruge e cospe navega uma festa dourada
de família. No parapeito, sonhador, um menino sensível namora o mar.
As ondas o convidam, a imensidão do mar o seduz, não há nada no
mundo barco que o possa segurar…

Apenas os gritos o saúdam quando ele salta.
Gritos maternos e guinchos de gaivotas inexistentes se fundem,
no dia em que o jovem se uniu com o mar.

O que aos olhos do navegante é morte,
é para o menino tritão o início da vida.
Mudar de ambiente é uma questão de aprender a respirar…

Ele segue vivendo, além das fronteiras dos barcos,
descobrindo que a vida no mar é fêmea,
descobrindo o que é A Mar…

(uma homenagem a um sonho belo e assustador de Dona Graça).

Foi publicada originalmente no Alriada Express em maio de 2005, inspirada em um sonho que a Dona Graça teve com seu filho, o ‘anatólio’ Daniel Padua.

É curioso e encantador como esta poesia fala COMIGO até hoje.

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Vou-me embora e volto com a noite,
essa minha grata companheira separável.
Selados estarão nossos destinos, então.
Verdadeiros guerreiros seremos ao nascer do dia!
Do Grande Todo teremos todas as partes,
de tua alma terei o vislumbre
e aos meus espíritos irmãos saciarei.

Fica comigo esta tarde
e vamos ver o sol fugir com medo do escuro.
Vomos virar a cortina do sonhar pelo avesso!
Estando vivos, morreremos, para renascer mais um pouco.
Estando aqui, iremos embora, apenas para voltar.
Que o vento do outono sopre este frio
e desnude a paisagem do negro pó da mentira.

Dancemos à nudez do próximo e à inteireza de nossa carne,
festejemos com cânhamo e álcool à nossa ebritude,
façamos das trevas refúgio de um pouco de delícia.
Então o tempo construirá pontes com o nosso gozo,
construirá estradas e vícios com nosso sangue, enfim…
Fica comigo esta tarde
e fuja com o sol se conseguir.

Daniel Duende, 05.10.1994
(com adaptações em 30/08/2004 e hoje)

Publicada originalmente no Alriada Express em 30/08/2004.

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Tenho que fazer logo a “reforma” do Alriada Express (atualizar o template para o blogger novo, ajeitar tudo para ele ficar “no jeito”) e voltar a fazer os posts “alriádicos” (como este, e este) por lá. Já estou incomodado em ter transformado meu blog de arte, cultura, literatura e música em um palanque para minhas idéias sobre o mundo e sobre a blogosfera e a internet — eu criei o Caderno do Cluracão justamente para ter um espaço longe do Alriada e de seus papos e para falar de outras coisas que me interessam por vezes até bem mais…

Então está resolvido. Vou descansar um pouco e depois, mãos à obra na reforma do Alriada Express.

Nisso, em uma “rebelitude” bem duendesca, o post continuando a conversa sobre os probloggers fica para depois. Para quem quer acompanhar o andamento do papo, rolaram umas conversas interessantes por aqui e por aqui.


UPDATE:

Finalmente, depois de algumas horas lutando contra a lentidão da minha internet (2mbps do Virtua para essa lentidão toda!?), contra o engessamento do sistema novo do blogger, contra o sono e contra a falta de criatividade (eu quero voltar para os meus contoooooos!!!), finalmente consegui colocar o Alriada Express “no jeito” para voltar a funcionar. Enfim, as blogadas de lá vão para lá e as de cá serão as donas do pedaço aqui!

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(publicado em 19 de agosto de 2005 no Alriada Express)

morreu um boêmio…

Eu ainda estava trabalhando, atabalhoado e cansado depois de um um dia inteiro de reunião, quando o telefone tocou. Minha tia avó me disse ao telefone, triste mas sem chorar mais, que meu tio Paulo havia morrido ontem. Disse o que sempre digo, que a vida é boa enquanto se está vivo, e que se deve vivê-la da melhor forma, e então a morte vem para todos nós… muitas vezes como um descanso. Desliguei o telefone e me sentei no fumódromo do ministério da cultura. Acendi um cigarro, da mesma marca que meu tio fumava. Morreu de complicações causadas por um efisema. Lembro-me bem do dia em que ele me deu seu Zippo e disse “toma, Daniel, toma um efisema para você”. Eu peguei. Usei aquele isqueiro por anos, até o dia em que comecei a preferir isqueiros mais práticos. Zippos são mesmo confiáveis. Eles sobrevivem até a seus donos, geralmente. Chamei sempre aquele isqueiro por “efisema”.

Tio Paulo está morto agora. Quando as pessoas morrem sempre ficamos nos lembrando delas, de um jeito que não parávamos para lembrar quando elas estavam vivas. Lembrei-me de sua casa em Rio das Ostras, onde passei todas as férias de verão de minha infância e adolescência. Lembrei-me de como se sentava na varanda desde cedo, com seu whiskey em garrafinha de plástico, sua salada apimentada e seus cigarros. Por vezes eu me sentava lá também e tentava conversar com ele. Sempre gostou de mim, o velho com cara de irlandês, mas nunca fomos de trocar muitas palavras. Eu apenas observava, admirava aquele homem silencioso, de barriga grande e tão digna, tão cheia de passado e boa comida. Lembro-me de como as velhas tias perturbavam o tio por seu cigarro e sua bebida. Ele nunca ligava. Ligava para seus amigos, e para seus churrascos. Acordava cedo para resolver problemas na cidade com seus óculos quadrados de armação grossa (que hoje fariam dele um homem tão elegante, novamente) e depois apenas se sentava e bebia. Por vezes contava histórias, e ria com seus dentes meio tortos. Cheirava doce, quando ria. Cheirava a vida bem vivida.

Meu tio está morto agora. Seus cigarros o mataram, dizem. “Foram complicações do efisema! Pára de fumar, Daniel”, irão dizer minhas tias. Foi a vida que ele levava que o matou, nisso eu também concordo. Foi a vida onde ele se casou com a mulher que amava, sua prima Regina que foi embora antes dele sem avisar. Foi a vida em que ele bebeu e fumou e comeu o quanto quis, daquilo que quis. A vida onde ele morava longe de tudo, naquela sua casinha de sonho. Foi a vida com as galinhas, com os amigos velhos, desgastados, bêbados e felizes como ele. Foi o Zé Himério, com seu enorme corpo e voz rouca e suas histórias sobre o seu amigo Antônio Carlos Magalhâes. Foi o Bira, o ex-jóquei, com seu churrasco bom para caralho e sua cerveja esquentado do lado da churrasqueira, e seu mau humor de mineiro velho. Foi a vida que ele levava que o matou. Foi uma vida feliz que ele levou.

Acendo mais um cigarro e penso comigo mesmo – “Morreu um boêmio, que sem saber foi um modelo e um herói para mim. Morreu porquê viveu. Quando eu morrer, queria que alguém escrevesse algo bonito sobre mim.”

Adeus Tio. Valeu pela vida.

(foto tirada do flickr de engin)

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