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José Saramago, aquele grande escritor que sempre respeitei mas de quem nunca gostei muito, fundou seu blogue nesta semana. O blogue está aqui, no site da Fundação Saramago.

O primeiro texto do blogue é uma antiga declaração de amor à sua Lisboa:

“Tempo houve em que Lisboa não tinha esse nome. Chamavam-lhe Olisipo quando os Romanos ali chegaram, Olissibona quando a tomaram os Mouros, que logo deram em dizer Aschbouna, talvez porque não soubessem pronunciar a bárbara palavra. Quando, em 1147, depois de um cerco de três meses, os Mouros foram vencidos, o nome da cidade não mudou logo na hora seguinte: se aquele que iria ser o nosso primeiro rei enviou à família uma carta a anunciar o feito, o mais provável é que tenha escrito ao alto Aschbouna, 24 de Outubro, ou Olissibona, mas nunca Lisboa. Quando começou Lisboa a ser Lisboa de facto e de direito? Pelo menos alguns anos tiveram de passar antes que o novo nome nascesse, tal como para que os conquistadores Galegos começassem a tornar-se Portugueses…

Estas miudezas históricas interessam pouco, dir-se-á, mas a mim interessar-me-ia muito, não só saber, mas ver, no exacto sentido da palavra, como veio mudando Lisboa desde aqueles dias. Se o cinema já existisse então, se os velhos cronistas fossem operadores de câmara, se as mil e uma mudanças por que Lisboa passou ao longo dos séculos tivessem sido registadas, poderíamos ver essa Lisboa de oito séculos crescer e mover-se como um ser vivo, como aquelas flores que a televisão nos mostra, abrindo-se em poucos segundos, desde o botão ainda fechado ao esplendor final das formas e das cores. Creio que amaria a essa Lisboa por cima de todas as cousas…”

Leia o resto do texto lá no blogue de Saramago.

E por falar em Saramago, o filme do Ensaio Sobre a Cegueira está estreando agora, né? Eu e Patinha queremos assistir o quanto antes.

(o que me faz lembrar que ainda não assistimos o filme de “Amor em Tempos de Cólera”, adaptação do livro homônimo de García Marquez)

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O Adroaldo Bauer deu a dica lá no post d’O Cavaleiro e o Dragão (parte 6) no Overmundo, eu fui olhar e gostei. o Jornal das Pequenas Coisas, da escritora, poetisa e defensora de benjamins Rita Apoena, é um blogue doce, simpático e muito bem escrito.

Mais do que a propaganda, ele vale muitas visitas. Quem sabe uma hora ela volte das escritas e reabra os comentários para que possamos elogiar o blogue dela. :)

p.s. e este é um post com vírgulas demais, mas quem se importa? deixe as vírgulas serem felizes correndo por entre as letras…

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Simples assim…
O Brutti, Sporchi e Cativi continua ducaralho.

O segredo de falar e escrever bem é falar o que precisa ser dito, e somente o necessário. :)

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Como ele mesmo diz:

Ernesto Diniz, 28 anos, soteropolitano, possui memória seletiva sem critério, escreve em blogs desde 2000. Vive uma espécie de síndrome do não-pertencimento misturando algo entre Caio Fernando Abreu e Walt Whitman (?). Descobriu cedo os efeitos nocivos da kriptonita para o trabalho árduo de salvar o mundo, mas obteve redenção após ingressar em uma universidade federal e fazer carreira de estudante (a qual, afirma ele, é finita e encontra-se em franca decadência). Vive prometendo que morará fora, numa cruzada em busca da Pasárgada perdida (muito embora não conheça nenhum rei, nem súditos, dada sua anti-sociabilidade branda). É pesquisador em Tradução Intersemiótica e fala de Shakespeare como quem fala das novas tendências da música indie-pós-punk-neo-electro-rock-tropicália (aforismos somente no chuveiro). Ama as árvores, sândalo, avelã, cultura celta e ainda firmará morada no País de Gales.

Ernesto é um daqueles artistas geniais que zanzam pela rede, sendo vez por outra descobertos meio por acaso por nós (sempre com a sensação de que poderíamos tê-los descoberto antes se fôssemos menos preguiçosos). Sua prosa é direta, honesta, densa e meio claustrofóbica sem abrir mão do bom humor negro como guimba de cigarro.

Não sei ao certo porquê, mas recebia quase toda semana emails que me convidavam a ler o trabalho do cara nos sites e blogs onde ele publicava. Não me lembro como o cara me achou. Sei ainda menos porquê não fui lê-lo antes, mesmo com todo o meu discurso de se dar atenção ao pessoal que se auto-publica. Talvez tenha sido pura preguiça e uma eventual descrença de que coisas tão boas podem estar assim, se oferecendo em nossos emails. Tolo eu. Muito tolo…

Só de ler um pouco de seu trabalho, já sei que vai virar mais um de meus blogueiros de cabeceira. Seu “Resumo da Criação do Mundo“, uma bem humorada metáfora vagamente apoiada no Gênesis bíblico para o renascimento que é o despertar depois de uma noite de seguidas coisas loucas, é simplesmente delicioso. O renascimento depois da ressaca e da semi-amnésia alcoólica como uma metáfora para… para o quê? Para o que for, para tudo ou para nada, sei lá… Não é necessário se elaborar sobre as metáforas do texto. É coisa que quem conhece, sabe como é. E Ernesto conhece, pelo visto. Conhece tão bem, que sabe enxergar a piada e a profunda dimensão existencial por trás de manhãs como estas. Mais do que isso, ele sabe muito bem que não adianta tomar banho… a nossa vida tá grudada na pele.

Longa e boa vida ao cara e sua obra (e boa sorte em seu sonho de ir parar no País de Gales)…

O novo blog do Ernesto, “O botão mais difícil de abotoar”, fica logo aqui.

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Tenho que fazer logo a “reforma” do Alriada Express (atualizar o template para o blogger novo, ajeitar tudo para ele ficar “no jeito”) e voltar a fazer os posts “alriádicos” (como este, e este) por lá. Já estou incomodado em ter transformado meu blog de arte, cultura, literatura e música em um palanque para minhas idéias sobre o mundo e sobre a blogosfera e a internet — eu criei o Caderno do Cluracão justamente para ter um espaço longe do Alriada e de seus papos e para falar de outras coisas que me interessam por vezes até bem mais…

Então está resolvido. Vou descansar um pouco e depois, mãos à obra na reforma do Alriada Express.

Nisso, em uma “rebelitude” bem duendesca, o post continuando a conversa sobre os probloggers fica para depois. Para quem quer acompanhar o andamento do papo, rolaram umas conversas interessantes por aqui e por aqui.


UPDATE:

Finalmente, depois de algumas horas lutando contra a lentidão da minha internet (2mbps do Virtua para essa lentidão toda!?), contra o engessamento do sistema novo do blogger, contra o sono e contra a falta de criatividade (eu quero voltar para os meus contoooooos!!!), finalmente consegui colocar o Alriada Express “no jeito” para voltar a funcionar. Enfim, as blogadas de lá vão para lá e as de cá serão as donas do pedaço aqui!

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(post movido para o Alriada Express)

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O André Oliveira, do blogue Marmota (agora parte integrante do “Shopping Center de Blogs” Interney Blogs), teceu umas considerações bem interessantes sobre essa coisa de blogueiro profissional:

“O que me assusta é saber que esse rótulo transforma as pessoas. Preocupadas com resultados, acabam se levando a sério demais.

Ser “blogueiro profissional” (ou “problogger”, que é bem mais legal) é escrever pensando nos números. Nada contra essa prática: quero mais é que todos que procuram esse caminho transbordem a conta bancária. Agora, com tanta gente em busca das mesmas coisas, tenho uma visão muito pesada sobre o futuro da “blogosfera”, caso ela “amadureça” por esse viés: isso aqui está se transformando em uma Serra Pelada, com gente demais se acotovelando atrás de alguns tostões.”

O André também fala de algumas vicissitudes desse papo de ser blogueiro ‘profissa’:

“Então cá estou, blogueiro profissional, buscando formas de “monetizar” meu conteúdo; adotando todas as regrinhas de “Search Engine Otimization” para fisgar consumidores; patrulhando os aproveitadores – afinal de contas, além de ser assinado, conteúdo semelhante na rede atrapalha meu posicionamento no Google. Sem essa de compartilhar idéias só para conhecer gente nova ou simplesmente para marketing pessoal: agora, eu quero é ganhar dinheiro. Vou justificar minhas ações na cartilha da ética (e outras totalmente justificadas), mas vou seguir mesmo a lei da selva. E salve-se quem puder.

Tenho medo disso. É o mesmo discurso atribuído a outras áreas competitivas (no caso dos “jornalistas”, é exatamente igual).”

E é aí que o cara pegou o espírito da coisa. Quem quer que a profissão — ops… que o ofício — de blogueiro se transforme em algo parecido com todos os outros ofícios que perderam a arte e viraram uma coreografia de cachorro comendo cachorro em luta por migalhas? Deste jeito, quem é que quer ser blogueiro profissional? Se eu me recusei a me tornar profissional em qualquer coisa que fosse, justamente para fugir desta mentalidade terrível que acompanha a alcunha, a profissionalização blogueira não faz então nenhum sentido.

Blogs são, como diz a própria apresentação do Interney Blogs “páginas dinâmicas e democráticas – qualquer internauta razoavelmente alfabetizado pode criar o seu). Além disso, possuem linguagem mais informal, interação maior com os leitores (clique aqui para deixar seu comentário!) e dão a seus autores liberdade para escrever o que quiserem, quando quiserem e como quiserem, desvencilhados de limites de caracteres, pautas pré-determinadas e deadlines.”. Para se blogar, tem-se que ser igualmente dinâmico, desvencilhado de todas as amarras físicas ou mentais que apodrecem os mercados e as redações jornalísticas e, sobretudo, ter muito tesão por falar e conversar. Estas coisas não se profissionalizam. Então, vá lá, ganhar dinheiro com seu blog — como ganhar dinheiro com qualquer coisa que se faz com paixão — é uma delícia. Mas se tornar blogueiro profissional, com todas as vicissitudes e horrores do termo, é coisa de gente que não sabe o que está perdendo — a própria alegria e liberdade que são a essência do blogar.

UPDATE PICANTE:
Decidi recolocar as frases finais do texto, que havia retirado anteriormente. No dia em que eu tiver que ter papas na língua sobre o que penso, é hora de parar de blogar. As frases eram:
“Se a atividade blogueira começa a obedecer a exigências de mercado, opiniões dominantes dos ‘grandes’, desígnios dos anunciantes, desejos da burguesia de atenção blogosférica e coisas afins, qual seria a sua diferença em relação às profissões de jornalista e publicitário? Nada contra os jornalistas e publicitários, conheço alguns deles que são fantásticos (curiosamente, a familia Bicarato é rica neles), mas eu sou blogueiro — blo-guei-ro! — e como tal gosto de acreditar que a atividade blogueira é como eu, livre pra pensar, falar e fazer o que achar que é certo, sem obedecer a mercados ou idéias nefastas do velho mundo que morre. Blogar é arte, ou então não me chamo mais de blogueiro.”

Pronto. Falei. Agora posso seguir desopilado para posts mais leves…

Abraços do Verde

P.S. Em tempo, parabenizo o Edney véio de guerra e toda a galera do Interney Blogs pela proposta e pelo sucesso, e espero que todos eles ganhem tanta atenção, comentários e grana quanto merecem e quiserem ganhar. Só não gosto da idéia de que, para ganhar grana ou ter sucesso (seja lá o que isso significar), um blogueiro tenha que ser alguma coisa diferente do que naturalmente é — um pensador que vive entre dois mundos e que auto-publica seu pensar e sentir nas teias da rede digital, para os olhos, mentes e corações da rede humana na qual vive.

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