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Posts Tagged ‘bloqueio de escritor’

“Morava em um jardim, apreciando seu reflexo etéreo nas águas do lago quieto. Era a Imaginação. Era prisioneira e não sabia. Não via os muros altos por detrás das plantas de muitas cores. Não via, pois não mais se movia. Ficava apenas lá, se olhando no espelho das águas que também não iam a lugar nenhum; estagnadas. Muitos seres e coisas passavam por lá. Achava que eram visitas para ela, mas estavam passando apenas por passar. Não eram prisioneiros, nem tinham lugar. Eram nada. Apenas coisas que passam pelos olhos da imaginação. Mas ela não tinha olhos para eles. Ficava só olhando para o lago, e nem via o céu por trás de suas orelhas alongadas. O céu também não ia a lugar nenhum. Era prisioneira de seu próprio paraíso. Não via nada além de si mesma, e nem sequer imaginava que era uma Imaginação prisioneira.”

(trecho inicial de um novo escrito no qual estava trabalhando hoje, ainda sem nome…)

Este não é um tempo nem um lugar bom para a Imaginação. Há tantas coisas e tantas pessoas que atacam, tentam destruir ou aprisionar nossa imaginação de todas as formas possíveis. Estou apenas começando a perceber o quanto eu, como muitos de nós, me tornei prisioneiro de tantos destes ardís…

Mas é sempre tempo de tentar libertar sua imaginação e sua alma…

(Este post também é dedicado à maravilhosa mulher que anda me ajudando a encontrar os grilhões de minha imaginação, e a me libertar deles)

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É estranho como o ofício de escritor, antes tão solitário por natureza, tem se tornado cada vez mais social nestes tempos digitais. Se antes as horas de escritor eram longas e silenciosas, cheias de palavras ditas e ecoadas só pelas paredes, hoje elas são um burburinho tão amoroso e tão intenso do qual ele tem que escapar por vezes para conseguir escrever mais.

Fico exultante, feliz e saltitante, com cada elogio que minhas obras recebem. Gosto de atender a todos, responder a todos, ler tudo aquilo que meus leitores-escritores estão produzindo… Mas as horas do dia ficam curtas para tudo isso.

Ainda estou aprendendo a lidar com toda esta atenção e reconhecimento.
Sejam pacientes comigo.

E muito, muito, muito obrigado mesmo!

p.s. e, respondendo à pergunta de uma querida amiga: é um estranho que ainda não sei dizer se é bom ou ruim. É bom, ao menos em parte, porque é uma coisa cheia de amor e apreciação… me projeta às nuvens… mas por outro lado me é um pouco angustiante nem sempre conseguir retribuir a todos, atender a todos, dar a atenção merecida a todos. Sinto-me afogado em carinho. Ainda estou aprendendo…

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Por quê será que escrever parece tão difícil às vezes?
Cada palavra parece sair a tanto custo, e tão feia e mal acabada. Cada frase parece cacofônica. Nada parece combinar, e tudo parece fora de esquadro…

Por quê será que é tão dificil escrever?
Não sei. Eu só sei que não vou desistir… NUNCA!

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Faz algum tempo que as reviravoltas da vida, a falta de inspiração e disciplina e, talvez, a falta de tempo, têm me impedido de publicar coisas novas no Overmundo. Tendo em vista que passei a tarde mergulhado em escritos e ainda me sobrou alguma inspiração, resolvi publicar duas fotos no overmundo, só para movimentar as coisas. “Into the Sea…” e “Foto aleatória” já estão na fila de edição. São as mesmas publicadas no fotolog, mas os textos estão diferentes — escrevi poesias novas, ou tentei, para acompanhar as imagens que ganham novo valor para mim. Se estão curiosos, que tal dar uma olhadela por lá?

into the sea
Into the sea…

Enquanto isso, sei bem que devo e não nego (a mim e a quem me lê), continuar a revisão e publicação de O Cavaleiro e o Dragão. Minha inconstância o descontinuou, mas minha paixão há de retomá-lo.

E por falar em dragões, hoje passei a tarde debruçado sobre Samhain. Escrevi as duas partes iniciais, estou fazendo algumas revisões. Devo mergulhar na terceira parte hoje à noite. É bom estar produzindo de novo, embora a maior parte do trabalho que me espera (e que vai me levar para mais perto de voltar para a cidade que amo) não tenha nada a ver com a minha amada arte de contar histórias, nem esteja me soando nada artístico neste momento…

Algum dia ainda conseguirei viver com mais arte e, quiçá, viver de arte.

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ou

Alma e o quarto escuro

“(…)Alma respirou fundo, parada frente à porta, mordendo os lábios. Aproximou a mão muito lentamente, incerta, da maçaneta. Assustou-se quando a porta se abriu tão facilmente e tão repentina sob o toque de sua mão, movendo-se com um rangido baixo que parecia gigantesco naquele silêncio onde só se ouvia seu coração. A luz da cozinha invadiu o quarto, projetando a sua sombra encolhida sobre corpo imóvel de Sméagan, refestelado sobre a cama. Não sabia se ele dormia. Esperava que acordasse e ao mesmo tempo não queria que acontecesse. Sua resolução, que começava a falhar, a empurrou em passos curtos e incertos para dentro do quarto. Fechou a porta com um gesto vago, e a última luz sufocada pela porta que se fechava iluminou os olhos de Sméagan, que acabavam de se abrir. Ela imaginava ter visto também um sorriso. Exasperou-se, perdida na estrada entre o temor e a excitação.

‘Estou aqui’, ela disse. Sua voz falhou, e então ela preferiu repetir — ‘estou aqui. eu vim…’. Ele nada disse, mas ela podia ouvir sua respiração. Podia ver, com os olhos que se acostumavam muito devagar com a luz fraca filtrada através da cortina, que ele sentava-se lentamente na cama. Alma permaneceu imóvel, abraçada pela escuridão e pelo silêncio rompido apenas pela respiração dos dois. Não sabia dizer se ele estava nu em meio às tantas cobertas amarfanhadas sobre a cama. Parecia um espectro em sua brancura quase invisível na luz tênue demais. Ele também olhava para ela, mas sua expressão era indecifrável, emoldurando seus olhos rasgados e escuros… tão escuros quanto aquela noite e quanto aquele quarto. Tão escuros quanto as coisas que a escuridão esconde.

Alma deu um passo em direção à cama, mas foi detida pelo gesto quase brusco de Smeagan, que sinalizava para que ela não se aproximasse. Olhou para ele, sem entender o porquê daquilo. Ele sorveu a perplexidade dela por um alongado segundo antes de falar — “Tire as suas roupas antes de vir para a cama, moça. Elas estão sujas com as coisas da rua.”. Alma enrubesceu no escuro. Pensou em ir embora. Virou-se de costas, mas não deu nenhum passo. Isso não fazia sentido. Era para isso que ela tinha vindo. Não havia mais ninguem e nenhum lugar lá fora, naquela noite escura, para onde ela pudesse, ou quisesse, ir. Sentiu uma lágrima se formando em seu olho esquerdo. Sentia-se como uma menina de novo, e isso a assustava. Estendeu a mão pelas costas para alcançar o zipper do vestido curto, e o abriu, puxando-o para baixo. O ar frio tocou suas costas agora nuas e fez com que sentisse um calafrio, mas isso não foi de todo ruim. Abaixou-se para começar a desamarrar as botas, e por alguns segundos viu-se distraída com os cadarços. Smeagan, que parecia ter se levantado da cama enquanto ela se livrava de suas botas altas, falou por detrás dela — “gosto da sua tatuagem, sabia?”. Alma sentiu outro calafrio.

Levantou-se depressa, girando sobre os calcanhares ainda recobertos pelas meias listradas. Esperava encontrá-lo mais perto, mas seu movimento brusco parece tê-lo assustado. Reequilibrava-se de um passo largo dado para trás, que o fez encostar novamente com as pernas na cama. Alma não sabia explicar o motivo de seu pudor, mas não olhou para a nudez dele. Não ainda. Olharam-se por um segundo, olhos escuros em olhos escuros no quarto escuro, e se reconheceram um no outro. Alma levou as mãos aos ombros e puxou seu vestido como quem arranca uma pele morta, inadequada, inútil. Sorriu com apenas um canto da boca ao ver o sorriso de Smeogan, que observava seu corpo de cima a baixo. ‘Satisfeito com o que está vendo?’, disse ela, retomando a coragem frente à inesperada timidez daquele homem. “Ainda não”, disse ele enquanto sentava-se na cama, empurrando-se lentamente com as mãos para apoiar-se com as costas na parede — “agora venha cá.”, completou. Alma caminhou até a cama e colocou-se ajoelhada, com as pernas afastadas, sobre as pernas estendidas dele. Inclinou-se para beijá-lo, mas estacou quando seus olhos voltaram a se encontrar com os dele, agora tão perto. Seus olhos eram tão negros! Sondaram-se, paralizados, olhos nos olhos, por mais um segundo, antes de aproximarem-se por fim para dar o beijo que terminaria com toda aquela angústia.

Seus lábios eram frios, muito frios, e Alma podia sentir como eram igualmente frias as mãos que percorriam suas costas e por fim encontraram seu lugar em seus seios, buscando calor e contato. Continuaram a se beijar, enquanto ela relaxava lentamente as pernas para sentar-se sobre ele, sentindo-o crescer debaixo dela. Mas, de repente, foi sacudida por um espasmo de choro que surpreendeu até mesmo a ela. Afastou seu rosto do dele e o cobriu com as mãos, soluçando baixinho. Ele a abraçou com uma doçura que para ela era também inesperada. Mal o conhecia. Tudo era um tanto inesperado nele, e era em parte por isso que chorava. Entregava-se por fim àquele estranho tão familiar, como tinha desejado silenciosamente por tantas noites, mas também estava assustada. Por quê seus olhos eram tão escuros, insondáveis e tristes? Por quê ele era tão doce? Não havia como aquele momento ser perfeito, dada a sua canhestra estranheza, mas ainda assim era bom e forte demais para que ela aguentasse seguir em frente. Sentia que seu coração podia explodir, ou que o mundo poderia se esgarçar e rasgar à volta dela. Chorou nos braços dele, sentindo raiva de si mesma por estar estragando tudo, sentindo-se importente ao mesmo tempo que se aninhava deliciada em seu abraço. “Porquê você chora, se é que posso perguntar?”, sussurrou ele por fim. Alma não respondeu. Chorava porque estava imensamente feliz e porque tinha um imenso medo, e porque sabia que agora estava totalmente perdida. Nada poderia ser tão bom quanto o que estava prestes a ser, pensava ela, mas ainda assim estava trespassada de pavor. Alma sentia-se ridícula, ridiculamente humana, chorando nos braços de Smeagan. Queria-o tanto, tanto, e tinha tanto medo disso, que sentia que não conseguiria tê-lo. Era demais para ela! Ele nem sequer era humano.(…)”
(fragmento não revisado do conto ‘Samhain’)

Rompi o bloqueio de escritor dolorosamente, como um rio que rompe uma represa e se escalavra nas pedras que carrega no seio de seu jorro.

Ao menos escritor está vivo, enquanto todo o resto se mortifica a espera de renascer…

p.s. as fotos que ilustram este fragmento ainda não existem. existirão, quiçá, um dia, se ele for levado em frente.

UPDATE:
Embora tenha trabalhado em algumas anotações mais neste conto, revisado algumas partes (não publicadas) e refinado algumas idéias, ainda não tenho nada novo para publicar. De qualquer forma, o trabalho não está abandonado. A seu tempo Samhain verá a luz, quando for o seu momento.

UPDATE2:
Resolvi batizar este fragmento como “Alma e o quarto escuro“, a partir das observações carinhosas e encantadoras da leitora Dora Nascimento. Agora ele tem vida própria, é uma obra em si, embora faça parte também do conto Samhain (do mesmo modo que vários contos reunidos podem transformar-se em um romance).

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Embora ora relute e ora não tenha tempo de verter a história em palavras, a nova fábula da Princesa Desencantada vive e cresce dentro de mim. Antes vertida em um só fôlego, a história da princesa que descobre a verdade por trás de suas ilusões torna-se agora uma história dividida em cinco partes, e ganha ainda anotações para uma possível continuação.

As cinco partes, cinco subtítulos que marcam as fases da fábula, surgiram quase que por encanto enquanto me recontava a história ontem pela manhã. “A filha do rei”, “A protegida do senhor da guerra”, “A mulher do príncipe”, “A dama das estradas” e “A rainha da lama” (ou “A rainha das pulgas”, ainda não me decidi ao certo) formam um continuum, e servem de um elemento que significa ainda mais as palavras que abrem a fábula.

“(…)De todos os meus tesouros, aqueles pelos quais tinha mais apreço eram as minhas ilusões. Eram estas também as que me traziam a maior infelicidade, embora perdê-las tenha sido um dos golpes mais profundos que havia recebido desde então. Sangrei desta ferida ao longo da estrada que me trouxe até aqui. Mas como toda chaga, esta também termina por secar, mesmo que seja na morte. Nada tenho mais, nem tesouros nem chagas, nem a mim mesma. Nada além da história que narrarei. Desta também quero agora me livrar, no momento em que a entrego a vocês, para que façam dela o uso que bem quiserem. Só quando nada mais tiver, serei livre para finalmente ter o único tesouro que nunca soube ter — A minha felicidade, que há de ser simples como toda felicidade deve ser. Mas foi sem simplicidade alguma, mas repleta de riquezas e posses e as ilusões que as acompanham, que minha história começou(…)”

A cada vez que olho para esta introdução, mudo alguma ou muitas coisas. Não contem então com nada daquilo que os estou contando. A Princesa Desencantada é uma história tão mutante em busca de sua forma que ainda não consegue se agarrar a qualquer meio físico. Mas ela está aqui… bem aqui… dentro do meu mundo.

Digo mais quando houver mais a dizer.

UPDATE:
A verdade é que a fábula é tão simples e ao mesmo tempo tão complexa, tão linear e ao mesmo tempo tão cheia de significados subentendidos, que nunca fico satisfeito com as palavras que escolho para contá-la…

Tá ainda me faltando culhão, mais do que tempo e vontade, para escrever a versão final de A Princesa Desencantada.

Ok, falei…
Agora alguém me paga uma cerveja ou me faz um cafuné?

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Pior do que o bloqueio de escritor e a falta de tempo é a preguiça de escritor. Quando você sabe a história que quer contar, tem tempo para escrever e mesmo assim não escreve por pura preguiça… é hora de descansar, ou então de tomar mais vergonha na cara.

O procrastinador acha que é amigo do tempo, mas o tempo pensa diferente…

Vai escrever, Duende!

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