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Posts Tagged ‘brasília’

a menina bonita se sentou no banco.
ela tinha um papel na mão e olhava para o nada.
vários passarinhos passam por mim. querem comida.
também tenho fome, mas esqueço.
está escurecendo, e a moça está sentada no banco.
dois meninos passam correndo e gritando. me assusto.
vou até debaixo daquela árvore. a grama está seca
e a moça continua sentada no banco.
seus pés se retorcem. o vento levas algumas folhas.
ela olha para o papel, e depois olha para os blocos.
não parece estar vendo nada. parece estar chorando
está escurecendo. está esfriando. cadê os pássaros?
a menina está chorando. ela é tão linda e tão triste.
sua pele é tão branca… e ela é tão magrinha,
que parece doente.
será que ela está doente?
droga! lá vem um cachorro! odeio cachorros!!
é melhor sair daqui…

lá está a menina. está andando.
tem um menino indo atrás dela.
não. não parece ser só um menino.
ele tem alguma coisa estranha nele.
ele não é como eles, mas não é como eu.
está ventando. e este vento é diferente.
tem borboletas no anoitecer muitas.
e o menino continua andando atrás dela.
vou chegar mais perto.

a menina está chorando, sentada debaixo do bloco.
o menino fala com ela. entendo, mas ignoro.
não é o que ele está falando que importa.
ele tem um cachorro enorme atrás dele,
mas eles não podem ver o cachorro.
eu posso. ele ainda não é real, mas eu posso.
e olhando de perto posso ver a coisa fria dentro da menina.
o que será aquilo? ela está doente mesmo?
a menina segura o papel, tentando escondê-lo do menino.
então o menino começa a desenhar.
será que ele não vê o cachorro?
será que ela não vê a coisa em sua barriga?
acho que vai chover. é uma chuva estranha.
o menino desenha árvores, e um cachorro.
ele desenha outro cachorro, então.
ele está desenhando o cachorro que está atrás dele.
e então eles olham para mim, mas não me vêem como sou.
e a menina não chora mais,
mas a coisa fria ainda se retorce dentro dela.

acho ela está morrendo. não sei porquê.

vai chover.
é melhor sair daqui antes que minhas penas fiquem molhadas.
estou com medo dessa chuva

vou embora com a menina e sua morte na cabeça.
mas sinto que também vou encontrar o menino
e o cachorro
por aí…

este é
um anoitecer
estranho.

tenho fome.

vôo para casa.

(imagem por VikaLC, no dA)

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Como pode a poesia viver entre tantas pedras?
Como pode até mesmo a vida não sufocar
em meio às ruas planejadas para a aprisionar?

Não sei. Mas ainda há vida por aqui…

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Hoje acordei com uma disposição diferente. Não era preguiça, nem falta de vontade de trabalhar. Lavei meu carro, ajeitei as coisas que precisava ajeitar em casa, até tentei trabalhar — mas algo me dizia que não havia trabalho a fazer, e que outra coisa me chamava. Lembrei que havia marcado, de meio coração, o primeiro encontro de imaginários para amanhã. Não havia ainda sentado para juntar as centenas de anotações que havia feito para a Crônica de Changeling que pretendo re-iniciar no encontro, e decidí então quer seria isso que deveria fazer.

Depois de fazer as compras que a casa demandava (e esquecer de comprar comida para minha pobre companheira felina, que agora no início da noite desistiu de miar para ir caçar camundongos), me sentei na frente do computador e comecei a baixar os livros de que precisava, reler velhas anotações, fazer algumas muito poucas novas anotações, ler livros de regras, estudar sobre o que precisava estudar… enfim, assumir novamente o velho manto de contador de histórias.

E tudo fluiu naturalmente, como nos velhos tempos. Sem grandes arroubos, sem grandes bolas de fogo ou outros ocidentalismos associados à magia. Simplesmente, aconteceu. Redescobrí minha senda de contador de histórias, e o manto e o cajado de griô moderno novamente me recaíram leves e naturais nos ombros. Os personagens que antes me sussuravam no ouvido, há várias semanas, fizeram silêncio. Eles sabem que agora vou cuidar deles, e que não é mais necessário seu chamado constante. E é isso que vou fazer. Estou novamente contador de histórias, pois isso é o que eu sou.

E então descobrí que em algum lugar nas redondezas, começou a chover em meio à seca brasiliense. Quem disse que a mágica não está em todo lugar?

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Repassando o email que recebí no grupo Imaginários

GIBITECA PÚBLICA

Você que gosta de quadrinhos contribua para criação de uma Gibiteca Pública.

Aceitamos qualquer quantidade de doação. Faca crianças e jovens descobrir o mundo em desenho.

A gibiteca funcionara no Ponto de Cultura Invenção Brasileira em Taguatinga sul.

Postos de Arrecadação:

KINGDOM COMICS (No Conic)

INVENÇÃO BRASILEIRA (QSB 13 Mercado Sul Bloco B Lojas 5 e 24 Taguatinga – DF)

Realização:

Associação Cultural Ossos do Oficio

Ponto de Cultura Invenção Brasileira

Anderson Formiga
Associação Cultural Ossos do Ofício
SDS Ed. Miguel Badia SL 417
CEP 70394-901 Brasília- DF
(61) 8485 0512 / 3322 5202
http://formigar.blogspot.com/

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A moça sambista Ana Reis, que foi colega da Patinha no coral do Marista e hoje segue uma carreira solo cantando samba, tem mesmo uma voz muito bonita. Dá gosto de ouvir…

Quero ir conferir o trabalho dela em seu próximo show (que vai rolar na Quituart no dia 07/12).

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I see trees of green
red roses too
I see ‘em bloom
for me and for you
And I think to myself
what a wonderful world.

I see skies of blue
clouds of white
Bright blessed days
dark sacred nights
And I think to myself
what a wonderful world.

The colors of a rainbow
so pretty in the sky
Are also on the faces
of people going by
I see friends shaking hands
sayin how do you do
Theyre really sayin
i love you.

I hear babies cry
I watch them grow
Theyll learn much more
than Ill never know
And I think to myself
what a wonderful world…

para a minha Ninkasi. :)

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I see trees of green
red roses too
I see ‘em bloom
for me and for you
And I think to myself
what a wonderful world.

I see skies of blue
clouds of white
Bright blessed days
dark sacred nights
And I think to myself
what a wonderful world.

The colors of a rainbow
so pretty in the sky
Are also on the faces
of people going by
I see friends shaking hands
sayin how do you do
Theyre really sayin
i love you.

I hear babies cry
I watch them grow
Theyll learn much more
than Ill never know
And I think to myself
what a wonderful world…

para a minha Ninkasi. :)

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