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Posts Tagged ‘contar histórias’

Trazendo o papo para fora do silo.

O post era este aqui:

Conversando com Luiz Fernando Macedo sobre histórias encantadas e histórias nas quais se mergulha (ou aquelas que nos levam com elas), relembrei o conceito da subcriação tolkeniana. Escrevi sobre ela há alguns anos, aqui:

http://cadernodocluracao.wordp​ress.com/2007/03/24/subcriacao​-poder-divino-e-essencia-do-fa​ntastico-da-imaginacao-e-da-re​alizacaorealidade/

Luiz Fernando Macedo disse:

“Ótimo texto, ótimo mesmo! Fico maravilhado com o pensamento de que uma realidade, como a de Tolken, pode existir simultaneamente na cabeça de milhares de pessoas. Cada cidade e cada personagem, formando um universo tão diferente e ao mesmo tempo tão parecido com o nosso, onde cada pessoa tem a chance de viver experiências únicas dentro dele. Também é fascinante saber que mesmo sendo originados pela mesma fonte, cada um destes mundos é tão individual e subjetivo que acaba se tornando único na cabeça de cada um. Contar uma história não algo fixo, escrito em pedra e sim algo moldável de forma que cada vez que a história for recontada ela irá englobar, mesmo que sutilmente, as vivências daquele indivíduo, que vai acabar passando com mais ênfase naquilo que foi mais importante para ele. Contar histórias não permite apenas que você experencie aquelas vivências, mas também dá oportunidade do outro a experienciar. Por isso faço coro com você e também digo com orgulho que sou um contador de histórias!”

Eu disse:

“Com certeza, meu caro Luiz Fernando Macedo. Contar histórias é abrir as portas para universos simbólicos ricos e vivos. Aqueles que nos acompanham nas histórias que contamos (ora coletivamente) são companheiros, e não passageiros, nessa viagem. Meu orgulho de contador de histórias se baseia principalmente na importância destas para a sanidade psíquica e espiritual dos seres. Nossa vida é feita de narrativas (que ora narramos para nós mesmos, quando tomamos consciência de nosso mundo e dizemos: isso é isso, aquilo é aquilo), são narrativas míticas que constroem a nossa percepção do mundo. São também narrativas nossa comunicação interpessoal e todo e qualquer conceito de história que possuímos. Somos, ou deveriamos ser todos, em algum aspecto, contadores de histórias.

[…]

E retornando ao foco da discussão (eu divago… e como…), acho bela e emocionante a idéia de que cada pessoa que lê/escuta uma história dela se reapropria, constrói um simulacro simbólico dentro de seu próprio universo, tecitura das tramas da narrativa adicionada com os fios e tinturas de sua própria história e universo simbólico internos. Contar e ouvir histórias é igualmente criativo e construtor de pontes e sentidos.”

Segue a conversa?

A Rivendell de J.R.R. Tolkien na aquarela de... Alan Lee ou de Brian Froud, creio eu.

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Voltou a chover lá fora. A chuva que é a linha condutora entre eu e a história, e que descortina a própria história. Isso é um ótimo sinal…

Em algum lugar, Lúti está vendo a chuva.
Lá vamos nós….

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Desisti de escrever o que estava escrevendo. Bem, não é que eu desisti de escrever em si. É mais como se eu tivesse desistido de escrever aquilo que estava escrevendo, que não estava refletindo o que eu queria escrever. Alguns escritos simplesmente dão errado. E escritos não são como pessoas. Eles por vezes não encontram seu caminho. É melhor simplesmente amassar o papel em que se escrevia (ou o equivalente digital “close document” – “don’t save”), abortar, partir pra outra.

Fico então olhando a Fionna, minha gata, passear pela cozinha, ansiosa e frustrada pela estupidez de seu humano — eu — em ter esquecido de comprar comida para ela. Lembro-me de ter lido certa vez, ou mais de uma vez, que Neil Gaiman declarava que ouvia todas as histórias que contava de seu gato, ou seria gata? Não importa, ao menos pra mim, o sexo do felino. O que importa é que eu gostaria, ao menos uma vez, de poder ouvir uma história que a Fionna me contasse. Quem sabe se Neil me ensinasse a entender a fala dos gatos. Acho que seria a solução. Pois o contrário, a Fionna aprender com o gato, ou gata, de Neil Gaiman a falar a fala das gentes, poderia esbarrar no costumaz desinteresse dos felinos — dos dois felinos envolvidos, no caso. Fionna só quer comida, eu não conheço Neil Gaiman pessoalmente, e muito menos seu gato ou gata, e eu deveria estar tentando escrever as histórias que tenho pra contar neste momento em vez de escrever este post sem pé nem cabeça.

Mas de uma forma ou de outra, estas palavras me soaram bem mais honestas do que qualquer história que eu poderia contar neste momento. Queria poder contar uma história sobre gatos e gentes, e sobre suas histórias. E isso é justamente a idéia que eu precisava.

Lúti vai contar a história.

(e é assim que a gente recomeça. deixa a mente vagar pra fora da história, ronda um pouco que nem um gato procurando comida, e então — zás! — você reencontra a senda da história.)

Hora de voltar a meus escritos.
Espero que a Fionna ache comida. Seria terrível escrever com ela miando no meu ouvido.

Onde eu estava?

Ahhh, sim…

“Lúti observava a chuva caindo através da janela…

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Hoje acordei com uma disposição diferente. Não era preguiça, nem falta de vontade de trabalhar. Lavei meu carro, ajeitei as coisas que precisava ajeitar em casa, até tentei trabalhar — mas algo me dizia que não havia trabalho a fazer, e que outra coisa me chamava. Lembrei que havia marcado, de meio coração, o primeiro encontro de imaginários para amanhã. Não havia ainda sentado para juntar as centenas de anotações que havia feito para a Crônica de Changeling que pretendo re-iniciar no encontro, e decidí então quer seria isso que deveria fazer.

Depois de fazer as compras que a casa demandava (e esquecer de comprar comida para minha pobre companheira felina, que agora no início da noite desistiu de miar para ir caçar camundongos), me sentei na frente do computador e comecei a baixar os livros de que precisava, reler velhas anotações, fazer algumas muito poucas novas anotações, ler livros de regras, estudar sobre o que precisava estudar… enfim, assumir novamente o velho manto de contador de histórias.

E tudo fluiu naturalmente, como nos velhos tempos. Sem grandes arroubos, sem grandes bolas de fogo ou outros ocidentalismos associados à magia. Simplesmente, aconteceu. Redescobrí minha senda de contador de histórias, e o manto e o cajado de griô moderno novamente me recaíram leves e naturais nos ombros. Os personagens que antes me sussuravam no ouvido, há várias semanas, fizeram silêncio. Eles sabem que agora vou cuidar deles, e que não é mais necessário seu chamado constante. E é isso que vou fazer. Estou novamente contador de histórias, pois isso é o que eu sou.

E então descobrí que em algum lugar nas redondezas, começou a chover em meio à seca brasiliense. Quem disse que a mágica não está em todo lugar?

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O FFF me fez relembrar da mágica da Subcriação. Palavra e sabedoria que os dias banais me haviam feito esquecer…

Já te agradeci o bastante, FFF?

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Há uma longa história a ser contada. Mas hoje eu já sei como contá-la.

Vou contá-la da mesma forma que eles a contam para mim…
Em fragmentos, pequenas jóias de caleidoscópio, vislumbres, recordações e devaneios.

A longa história estará organizada com os seguintes tags:

Queda do Oeste, para reunir todos os fragmentos em um só fluxo de lembranças, lendas e revelações.
Arranárra, Lothienárra e Delianárra definindo as três linhas narrativas que contam a longa história que talvez comece antes do Leste e do Oeste.

E A História talvez comece assim…

“Houve um começo, mas cada vez que ele foi narrado sua verdade se diluiu na alma daquele que o narrou. Eu poderia contar como começou, como alguns já fizeram, mas estaria falando de mim mesmo, mais do que daquilo que você quer saber. Houve um começo, mas vou me limitar a contar aquilo que me lembro e aquilo que vivi. É tudo que posso e que quero fazer. E a minha história começa como um nascimento, com dor e um pouco de desorientação, em um quarto escuro…”

~ extraído do Delianárra.

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Gary Gygax está morto.

Que os Deuses guiem sua alma.

Sua contribuição para o contar histórias, para o encanto e para a fantasia deste mundo foi inestimável, embora seja fácil se esquecer dele (que criou o D&D em 1974) nestes tempos onde o RPG tem cada vez mais de polimento de egos e cada vez menos de contar histórias…

Eu lembrarei de você, Sr. Gygax.
Mande lembranças a Io.

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Sonhei com Zaratan e achei ter acordado encharcado. Mas a água era apenas água de sonho, embora chovesse lá fora. No sonho eu estava ocupado, muito ocupado, e corria de um lado para o outro para atender às minhas demandas. Nisso, eu não via o céu passando e a água subindo. Zaratan estava desperta, e eu sobre suas costas, estava ocupado demais para perceber que em breve iríamos estar em outro lugar… provavelmente debaixo do Mar.

Eu tenho que voltar novamente minha atenção àquilo que sempre me importou.
Voltar à magia e à poesia não é mais uma escolha. É uma necessidade fundamental à minha sobrevivência. Ainda assim… não estou vendo caminhos.

Something must be done… quickly.

p.s. a imagem do post vem daqui.

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Faz tempo que não me sento para escrever aqui. Não por falta de vontade, ou de históris porvoando minha cabeça. Talvez por falta de disciplina, mas certamente também por falta de tempo. De qualquer forma, resolvi seguir o exemplo da Patinha e dar um sinal de vida.

Não tenho tido tempo, ou não tenho encontrado o momento, para escrever minhas histórias também. Nestes dias corridos (mas realmente muito bons) que tenho vivido, as histórias surgem, dançam e vão embora em minha cabeça. Há coisas mais importantes a se fazer em certos momentos da vida do que contar histórias.

Tem-se que viver um pouco também, de quando em quando.
De qualquer forma As Memórias do Fogo de Galeano tem me feito bastante companhia nestes dias também. Os contos de Angela Carter nem conseguem competir pela atenção que dou ao Galeano ultimamente :)

E assim seguem os dias, até a próxima curva da estrada ou a próxima história para contar.

Em tempo… Esqueci de comentar no post retrasado, mas foi a Patinha que me apresentou ao Galeano. Se hoje me apaixono por histórias latino-americanas mais do que pelas européias, a culpa é quase toda dela e do Galeano (com uma mãozinha do Garcia Marquez).

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Sempre que posso, estou comprando novos livros. Prefiro comprá-los em sebos — em parte por serem mais baratos, em parte por achar que é muito triste que um livro tenha apenas um ou poucos leitores — mas por vezes também os compro novos em livrarias.

Nestes últimos dias, comprei mais dois livros que agora estão morando em minha cabeça o tempo todo enquanto os leio. Um deles é uma coletânea do trabalho com contos de fadas “feministas” realizado por Angela Carter (embora eu ache o termo “feminista” um pouco duvidoso para caracterizarc material contido no livro), chamada “103 Contos de Fadas de Angela Carter” (Companhia das Letras, 2007). Embora discorde de alguns pontos do pensar de Angela sobre os contos de fadas e as fábulas, considero o livro um repositório precioso do repertório mundial dos contos de fadas aos olhos de uma mulher inglesa sensível e inteligente.

O outro livro que comprei é o segundo tomo de Memórias do Fogo (subentitulado “As Caras e as Máscaras”), do fantástico e ultra prolífico Eduardo Galeano (o mesmo de “As Palavras Andantes” e “As Veias Abertas da América Latina” (aqui em .PDF)), um fantástico apanhado romanceado das histórias, folclore e lendas da América Latina entre os séculos XVIII e XIX. O livro, escrito com a excelência constumeira de Galeano, me traz aquilo pelo que anseio ardentemente estes dias: as histórias do meu lugar, que me foram ora negadas, ora servidas de forma muito deturpada. É um tesouro, e prentendo comprar seus outros dois tomos em breve.

Estes dois livros caíram quase que magicamente do céu (ou vieram em tempo do Caldeirão de Histórias cósmico) neste meu momento de revisão e reaprendizado do meu lugar no munco, e da minha natureza enquanto contador de histórias. Acho que o resultado da leitura deles poderá ser sentido por aqui.

Só os Deuses parecem saber. Que sigam as Histórias.

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