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Posts Tagged ‘DánLoth’

Mais um fragmento que pode ou não ser parte de “Acorda para Sonhar”…

…”era difícil enxergá-lo através da névoa do sonho. Não é como se ele não estivesse ali, mas sim como se naquelas condições o seu estar fosse inclompleto…
Não havia muito tempo para perguntar tudo que queria. Lembrava-se do outro sonho, quando ficara falando sozinho. Disparou a pergunta que mais o inquietava.
– Por que isso tudo está acontecendo? Qual o motivo do Dessonhar?
Dánloth sorriu, e sua imagem ficou ainda mais tênue na névoa.
Por um momento pensou que ele iria embora sem responder a pergunta. Mas ele o fez, e sua voz tinha tom de quem achava graça da pergunta:
– A imaginação flui, sempre. Ela não pode se estagnar. E todo fluxo traz no seio o fim de si mesmo e de um novo início. Até os Deuses morrem e renascem. E eu acho que já vou tarde…
Rodrigo ficou perplexo com a resposta. As névoas se fechavam, e Dánloth parecia ir embora sem dar um passo, desaparecendo. Mas depois de sumir, ainda se podia ouvir sua voz ao longe, confundida com o vento:
– Wottan me disse uma vez que os deuses são todos mentirosos, mas que nossas mentiras são tão reais quanto qualquer verdade, se as deixarem ser. Todos nós fomos enganados e transformados pelas mentiras de alguns deles…
Rodrigo sabia que ele estava falando d’Ele. Se já não era grande fã dos cristãos antes, agora sua fúria encontrava um sentido que dava a ela forma e cor. Sentiu-se mal, e levantou-se desajeitado da cama. Não teve tempo de chegar até o banheiro. O vômito saltou dele com pressa, espirrando no chão e na parede do quarto. Mas sentiu-se estranhamente melhor depois disso. Do chão, o vômito cheio de ódio quase parecia cantar para ele…”

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Os Deuses são os maiores mentirosos de todos. Mas foi mais ou menos assim que ele me contou essa história, na sala vazia daquela casa em Copacabana, no dia 23 de abril.

Ou será que fui eu mesmo que a contei assim? Se for, que Dánloth me perdoe. O Ressonhar está mexendo com todos nós…

“DánLoth observava de longe o casarão que repousava sobre o rochedo negro. Muito além da visão dos olhos, ele sabia dentro de si, como quem passa a língua em um dente que perdeu a firmeza, que naquele momento a casa rachava por dentro e estava condenada. Saberia o que estava por vir? Talvez não soubesse, embora soubesse bem o que vinha fazer ali, e imaginasse o que poderia vir depois. Era, afinal, o Senhor da Imaginação até que decidisse o contrário. E o faria, muito em breve.

Saltou do rochedo do qual observava a casa e pousou, leve como um gato, sobre o telhado que cobria a grande sacada que fitava o Mar do Adormecimento. Em outro momento teria sorrido enquanto fazia aquilo. Fazia tempo, embora fosse ele um ser além do tempo das Ilhas, que não saltava ou voava. Mergulhou em direção ao mar, rente à borda do telhado, e estendeu rapidamente os braços para segurar-se na viga que sustentava o telhado. Com um movimento rápido, impossível talvez para outros moradores das Ilhas, girou o corpo enquanto segurava-se na viga e reverteu sua queda em um salto para trás, e para dentro da sacada. Não ficou surpreso por encontrar Sboranágh fitando-o quando aterrisou. Ele sabia que havia feito barulho suficiente para alertá-la. E sabia também que ela não se impressionava mais com seus feitos.

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