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Posts Tagged ‘fábula’

Peguei emprestado o nome de meu conto inacabado* para dar título a este post pois, cá entre nós, ele não poderia ter outro nome…

Depois de alguns dias frenéticos tentando (e não conseguindo) trabalhar, cansado demais para criar e com trabalho atrasado demais para descansar — o que acaba virando um impasse meio ridículo — finalmente consegui ter uma excelente e sonhadora (embora cronológicamente curta) noite de sono. E como sonhei! Foram tantos e tão variados sonhos, que vez por outra despertava no meio da noite e pulava da cama para anotá-los. Visitei tantas terras e reencontrei tantas pessoas imaginárias ou não que, confesso, acordei meio zonzo.

Depois de fazer meus exercícios de decisão de como seria meu dia, me coloquei a ler minhas anotações. Impressionante! Estava tudo lá! O pescador que se perde na tempestade e chega nas ilhas imaginárias, o pai e o filho que guardam o mar contra o peixe demoníaco, o rei-pescador, o rochedo com as três bruxas que apenas parecem boas, a Floresta dos Príncipes onde a discípula do Coyote vai se encontrar com a Senhora das Corujas para descobrir uma receita, o gnomo caçador de Bargheests, a Floresta dos Reis, os pequeninos beijadores de nariz, os cogumelos vermelhos, a Corte Invisível dos Sprites, a mão amputada do forasteiro, o peixe com o anel no estômago, o Velho Caminhante, o Dragão que se apaixonou pela Árvore, O Deus que cantou o Mundo e se esquece de si mesmo para se reencontrar, a caixa misteriosa entregue ao navegante, o navio inteligente e sua capitã, a ilha dos corvos com sua única árvore, a espada no meio dos girassóis, a Princesa Desencantada, o espelho que captura a alma daqueles que se miram envaidecidos, o jovem Cavaleiro e seu Dragão nos céus de Armach, os anões que não sabem o significado da palavra amor, os gigantes que apostam corridas em nuvens e as duas ninfas que brincam no lago…

Tudo…

Em uma noite eu sonhei um mundo inteiro.


* no conto “acorda pra sonhar” o protagonista é despertado do transe do dia a dia frenético da vida urbana por um insólito encontro com seu alter-ego onírico dentro de sua casa. Nada mais revelo, pois gosto de surpresas.

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Depois de publicado e em edição no Overmundo, a parte 4 de O Cavaleiro e o Dragão recebeu as sugestões afinadas do generoso escritor e jornalista gaúcho Adroaldo Bauer. Encantado não apenas pelo quanto estas colocações me ajudaram, mas sobretudo pela beleza do processo de revisão colaborativa digitalmente mediada, resolvi postar um “retrato” do processo de revisão que se seguiu.

O primeiro parágrafo original da quarta parte da fábula, como foi publicado, era assim:

“Marcos não se lembrava de que a vida podia ser tão estranha e ao mesmo tempo tão entediante. Os dias passavam como uma paisagem desbotada pelo sol que passa pela janela de um ônibus. As noites, escuras e vazias, não eram diferentes. Ele ainda não tinha certeza de que não estivesse vivendo algum sonho ruim do qual não sabia acordar. Sonhos eram, aliás, uma coisa que ele não tinha mais certeza de saber o que eram. Por muitos dias achou que estaria enlouquecendo e tentava se concentrar na vida que acreditava ser boa antes. Mas, enfim, qual era a sua vida antes? Metade dele acreditava que um dia sonhara ser outra pessoa em outro lugar e este sonho o torturava. A outra metade não via sentido nisso tudo. E assim ele ia vivendo.(…)”

Adroaldo apresentou então um exercício de seu próprio punho, sugerindo uma versão diferente do parágrafo para materializar suas sugestões:

“Marcos não lembrava que a vida podia ser tão estranha e ao mesmo tempo entediante. Os dias pareciam paisagem que passa pela janela de um ônibus, desbotada pelo sol. As noites, escuras e vazias, não eram diferentes. Ele ainda não tinha certeza de que não estivesse vivendo algum sonho ruim do qual não sabia acordar. Sonhos, aliás, não tinha mais certeza de saber o que eram. Por muitos dias achou que estaria enlouquecendo e tentava se concentrar na vida que acreditava ser boa antes. Enfim: qual era a sua vida antes? Metade dele acreditava que um dia sonhara ser outra pessoa noutro lugar e este sonho o torturava. A outra metade não via sentido nisso tudo. E assim ia vivendo.(…)”

Lendo e relendo as duas versões, e comparando-as, resolvi modificar o parágrafo inicial da fábula de uma forma um pouco mais radical (embora ainda conservando todos seus elementos originais). A versão que fiz ficou, então, assim:

“Marcos não lembrava que a vida podia ser tão estranha e ao mesmo tempo entediante. Os dias passavam como paisagem na janela de um ônibus, tostados no vento seco e no sol; imóveis e inócuos. As noites, escuras e vazias, eram iguais. Ele não tinha certeza de que não estivesse vivendo algum sonho ruim do qual não sabia acordar. Sonhos, aliás, não tinha mais certeza de saber o que eram. Por muitos dias, achou que estava enlouquecendo. Tentava se concentrar na vida que, acreditava ele, deveria ter sido boa antes. Mas que vida era essa? Ele não sabia. Não estava certo de saber de mais nada. Metade dele acreditava que um dia sonhara ser outra pessoa noutro lugar, e este sonho o torturava. A outra metade não via sentido nisso tudo. Não via sentido em nada. Mesmo assim seguia vivendo, enquanto a paisagem inerte e tostada dos dias desfilava triste.(…)”

Seguem as conversas. Vou aproveitar este post para fazer um relato deste trabalho colaborativo (e, portanto, updates virão). O resultado final desta revisão a quatro mãos poderá ser visto, espero, na versão que irá a votação no Overmundo da fábula em fragmentos O Cavaleiro e o Dragão, parte 4.

p.s. o blog literário de Adroaldo Bauer chama-se Retorno Imperfeito. Vale a pena dar uma olhada nos quitutes literários que lá se encontram.

UPDATE:
Adroaldo me sugeriu ainda agora, por email, que trocasse a frase final do primeiro parágrafo, que era (…)Mesmo assim seguia vivendo, enquanto a paisagem inerte e tostada dos dias desfilava triste.(…) por “(…)Mesmo assim seguia vivendo, enquanto aquela paisagem desfilava triste.(…)”. Gostei da sugestão, e já vou utilizá-la na versão do texto que estou revisando, e que vai ser atualizado no post do Overmundo em breve.

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Depois de publicado e em edição no Overmundo, a parte 4 de O Cavaleiro e o Dragão recebeu as sugestões afinadas do generoso escritor e jornalista gaúcho Adroaldo Bauer. Encantado não apenas pelo quanto estas colocações me ajudaram, mas sobretudo pela beleza do processo de revisão colaborativa digitalmente mediada, resolvi postar um “retrato” do processo de revisão que se seguiu.

O primeiro parágrafo original da quarta parte da fábula, como foi publicado, era assim:

“Marcos não se lembrava de que a vida podia ser tão estranha e ao mesmo tempo tão entediante. Os dias passavam como uma paisagem desbotada pelo sol que passa pela janela de um ônibus. As noites, escuras e vazias, não eram diferentes. Ele ainda não tinha certeza de que não estivesse vivendo algum sonho ruim do qual não sabia acordar. Sonhos eram, aliás, uma coisa que ele não tinha mais certeza de saber o que eram. Por muitos dias achou que estaria enlouquecendo e tentava se concentrar na vida que acreditava ser boa antes. Mas, enfim, qual era a sua vida antes? Metade dele acreditava que um dia sonhara ser outra pessoa em outro lugar e este sonho o torturava. A outra metade não via sentido nisso tudo. E assim ele ia vivendo.(…)”

Adroaldo apresentou então um exercício de seu próprio punho, sugerindo uma versão diferente do parágrafo para materializar suas sugestões:

“Marcos não lembrava que a vida podia ser tão estranha e ao mesmo tempo entediante. Os dias pareciam paisagem que passa pela janela de um ônibus, desbotada pelo sol. As noites, escuras e vazias, não eram diferentes. Ele ainda não tinha certeza de que não estivesse vivendo algum sonho ruim do qual não sabia acordar. Sonhos, aliás, não tinha mais certeza de saber o que eram. Por muitos dias achou que estaria enlouquecendo e tentava se concentrar na vida que acreditava ser boa antes. Enfim: qual era a sua vida antes? Metade dele acreditava que um dia sonhara ser outra pessoa noutro lugar e este sonho o torturava. A outra metade não via sentido nisso tudo. E assim ia vivendo.(…)”

Lendo e relendo as duas versões, e comparando-as, resolvi modificar o parágrafo inicial da fábula de uma forma um pouco mais radical (embora ainda conservando todos seus elementos originais). A versão que fiz ficou, então, assim:

“Marcos não lembrava que a vida podia ser tão estranha e ao mesmo tempo entediante. Os dias passavam como paisagem na janela de um ônibus, tostados no vento seco e no sol; imóveis e inócuos. As noites, escuras e vazias, eram iguais. Ele não tinha certeza de que não estivesse vivendo algum sonho ruim do qual não sabia acordar. Sonhos, aliás, não tinha mais certeza de saber o que eram. Por muitos dias, achou que estava enlouquecendo. Tentava se concentrar na vida que, acreditava ele, deveria ter sido boa antes. Mas que vida era essa? Ele não sabia. Não estava certo de saber de mais nada. Metade dele acreditava que um dia sonhara ser outra pessoa noutro lugar, e este sonho o torturava. A outra metade não via sentido nisso tudo. Não via sentido em nada. Mesmo assim seguia vivendo, enquanto a paisagem inerte e tostada dos dias desfilava triste.(…)”

Seguem as conversas. Vou aproveitar este post para fazer um relato deste trabalho colaborativo (e, portanto, updates virão). O resultado final desta revisão a quatro mãos poderá ser visto, espero, na versão que irá a votação no Overmundo da fábula em fragmentos O Cavaleiro e o Dragão, parte 4.

p.s. o blog literário de Adroaldo Bauer chama-se Retorno Imperfeito. Vale a pena dar uma olhada nos quitutes literários que lá se encontram.

UPDATE:
Adroaldo me sugeriu ainda agora, por email, que trocasse a frase final do primeiro parágrafo, que era (…)Mesmo assim seguia vivendo, enquanto a paisagem inerte e tostada dos dias desfilava triste.(…) por “(…)Mesmo assim seguia vivendo, enquanto aquela paisagem desfilava triste.(…)”. Gostei da sugestão, e já vou utilizá-la na versão do texto que estou revisando, e que vai ser atualizado no post do Overmundo em breve.

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“(…)Ela tinha os cabelos negros e desiguais,
os dentes um pouco tortos, talvez meio pontiagudos demais.
Sorria de uma forma estranha e tinha um olhar desconcertante,
penetrante como o de um predador(…)”

Estamos entrando em uma das partes que mais gosto do primeiro arco de O Cavaleiro e o Dragão. Redescubro o prazer que tive ao escrevê-lo ao me entregar ao processo de revisão. Tenho fome de escrever mais. Mal vejo a hora a me dedicar à continuação desta fábula (sem contar a vontade que me dá de retomar o Delianárra ou, ainda mais, o “Garotos que dormem tarde”.)

Mas chega de papo…
Reproduzindo o texto-teaser do post lá do Overmundo:

Então começa o que parece ser o primeiro teste de Amarath. Ou será que era tudo um sonho, ou é tudo um pesadelo?

Confio que você, leitor, já deva ter lido a primeira, a segunda e a terceira parte desta fábula em fragmentos. Sem tomar então mais do seu tempo, vamos ao início da quarta parte de O Cavaleiro e o Dragão.

“Marcos não se lembrava de que a vida podia ser tão estranha e ao mesmo tempo tão entediante. Os dias passavam como uma paisagem desbotada pelo sol que passa pela janela de um ônibus. As noites, escuras e vazias, não eram diferentes. Ele ainda não tinha certeza de que não estivesse vivendo algum sonho ruim do qual não sabia acordar. Sonhos eram, aliás, uma coisa que ele não tinha mais certeza de saber o que eram. Por muitos dias achou que estaria enlouquecendo e tentava se concentrar na vida que acreditava ser boa antes. Mas, enfim, qual era a sua vida antes? Metade dele acreditava que um dia sonhara ser outra pessoa em outro lugar e este sonho o torturava. A outra metade não via sentido nisso tudo. E assim ele ia vivendo.(…)”


Leia a quarta parte de O Cavaleiro e o Dragão na íntegra, no Banco de Cultura do Overmundo.

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Embora ora relute e ora não tenha tempo de verter a história em palavras, a nova fábula da Princesa Desencantada vive e cresce dentro de mim. Antes vertida em um só fôlego, a história da princesa que descobre a verdade por trás de suas ilusões torna-se agora uma história dividida em cinco partes, e ganha ainda anotações para uma possível continuação.

As cinco partes, cinco subtítulos que marcam as fases da fábula, surgiram quase que por encanto enquanto me recontava a história ontem pela manhã. “A filha do rei”, “A protegida do senhor da guerra”, “A mulher do príncipe”, “A dama das estradas” e “A rainha da lama” (ou “A rainha das pulgas”, ainda não me decidi ao certo) formam um continuum, e servem de um elemento que significa ainda mais as palavras que abrem a fábula.

“(…)De todos os meus tesouros, aqueles pelos quais tinha mais apreço eram as minhas ilusões. Eram estas também as que me traziam a maior infelicidade, embora perdê-las tenha sido um dos golpes mais profundos que havia recebido desde então. Sangrei desta ferida ao longo da estrada que me trouxe até aqui. Mas como toda chaga, esta também termina por secar, mesmo que seja na morte. Nada tenho mais, nem tesouros nem chagas, nem a mim mesma. Nada além da história que narrarei. Desta também quero agora me livrar, no momento em que a entrego a vocês, para que façam dela o uso que bem quiserem. Só quando nada mais tiver, serei livre para finalmente ter o único tesouro que nunca soube ter — A minha felicidade, que há de ser simples como toda felicidade deve ser. Mas foi sem simplicidade alguma, mas repleta de riquezas e posses e as ilusões que as acompanham, que minha história começou(…)”

A cada vez que olho para esta introdução, mudo alguma ou muitas coisas. Não contem então com nada daquilo que os estou contando. A Princesa Desencantada é uma história tão mutante em busca de sua forma que ainda não consegue se agarrar a qualquer meio físico. Mas ela está aqui… bem aqui… dentro do meu mundo.

Digo mais quando houver mais a dizer.

UPDATE:
A verdade é que a fábula é tão simples e ao mesmo tempo tão complexa, tão linear e ao mesmo tempo tão cheia de significados subentendidos, que nunca fico satisfeito com as palavras que escolho para contá-la…

Tá ainda me faltando culhão, mais do que tempo e vontade, para escrever a versão final de A Princesa Desencantada.

Ok, falei…
Agora alguém me paga uma cerveja ou me faz um cafuné?

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Eu sou um filho das montanhas e do céu, desta terra e de duas outras também. Eu existo pois me é dado existir, e eu faço o que me é dado fazer. Sou descendente da serpente da terra e afilhado do senhor dos ventos e tempestades. Eu tenho um nome, mas apenas um nome deste lugar sairá, e será o seu. Ou portaremos ele juntos, ou apenas a mim ele caberá, assim como tua carne e tua vida. Disse o dragão, em um tom solene que deixou sua voz parecida com o ruído de um trovão ecoando dentro de uma caverna.
(um trecho da terceira parte de O Cavaleiro e o Dragão)


Uma das delícias de um fabulista é contar suas fabulosas histórias sobre a Terra Encantada, seu povo e sua magia. O Cavaleiro e o Dragão, uma velha fábula à qual eu não dava mais o devido crédito, é um exemplo simples (e longe de ser perfeito) deste tipo de história.

Para aqueles que gostam do que eu escrevo, vale a pena dar uma olhada na Primeira, na Segunda e (agora) na Terceira partes de “O Cavaleiro e o Dragão”, publicadas no Banco de Cultura do Overmundo.

Update:
Como era difícil encontrar uma imagem ou foto decente licenciada em Creative Commons para ilustrar minhas fábulas. Por sorte me lembrei que o site do Creative Commons tem um sistema de busca (que integra com o Google e com a busca do Flickr, entre outros) para encontrar material licenciado em CC. E então, ao me lembrar disso, ficou tudo bem mais fácil. É engraçado como alguns problemas parecem realmente difíceis até você pensar em uma solução óbvia para eles, não? Isso também é matéria de fábulas…

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Eu sou um filho das montanhas e do céu, desta terra e de duas outras também. Eu existo pois me é dado existir, e eu faço o que me é dado fazer. Sou descendente da serpente da terra e afilhado do senhor dos ventos e tempestades. Eu tenho um nome, mas apenas um nome deste lugar sairá, e será o seu. Ou portaremos ele juntos, ou apenas a mim ele caberá, assim como tua carne e tua vida. Disse o dragão, em um tom solene que deixou sua voz parecida com o ruído de um trovão ecoando dentro de uma caverna.
(um trecho da terceira parte de O Cavaleiro e o Dragão)


Uma das delícias de um fabulista é contar suas fabulosas histórias sobre a Terra Encantada, seu povo e sua magia. O Cavaleiro e o Dragão, uma velha fábula à qual eu não dava mais o devido crédito, é um exemplo simples (e longe de ser perfeito) deste tipo de história.

Para aqueles que gostam do que eu escrevo, vale a pena dar uma olhada na Primeira, na Segunda e (agora) na Terceira partes de “O Cavaleiro e o Dragão”, publicadas no Banco de Cultura do Overmundo.

Update:
Como era difícil encontrar uma imagem ou foto decente licenciada em Creative Commons para ilustrar minhas fábulas. Por sorte me lembrei que o site do Creative Commons tem um sistema de busca (que integra com o Google e com a busca do Flickr, entre outros) para encontrar material licenciado em CC. E então, ao me lembrar disso, ficou tudo bem mais fácil. É engraçado como alguns problemas parecem realmente difíceis até você pensar em uma solução óbvia para eles, não? Isso também é matéria de fábulas…

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