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Posts Tagged ‘fábulas’

Inuaçu e o menino-gralha

“Inuaçu fazia tapioca quando achou uma gralha com a asa quebrada. Como se devia fazer, Inuaçu a levou para a oca, colocando-a em uma gaiola bonita feita com pedaços de pau e cipó. Inuaçu se lembrava de antigas histórias sobre espíritos de homens que habitavam corpos de pássaros, por isso tratou logo de alimentar bem a gralha e conversar com ela todos os dias. Inuaçu e a gralha travavam longas conversas enquanto ela cozinhava ou tecia esteiras. A gralha não disse seu nome, era proibido às criaturas de dois mundos revelar seu nome para aqueles que habitavam somente um. Disse apenas que era um menino. O tempo passou e Inuaçu percebeu que a asa do menino-gralha estava curada. Era hora de solta-lo, ela sabia, e nunca mais tornaria a vê-lo. O menino-gralha disse a Inuaçu que queria ficar e pediu para que ela não abrisse a gaiola, pois isso o obrigaria a ir. Disse que havia se apaixonado. A índia também estava apaixonada, mesmo sabendo que seus desejos feriam as ordens dos deuses. Inuaçu sabia que se não abrisse a gaiola ambos seriam amaldiçoados e suas vidas nunca seriam felizes. A gralha nunca mais poderia cantar e perderia todas as suas penas, o útero de Inuaçu se tornaria seco e sua comida nunca mais teria sabor. Ficariam amaldiçoados e passariam a habitar o mundo dos mortos em vida. Inuaçu sempre soubera que destinos diferentes assim não se cruzavam. Toda noite, enquanto o menino-gralha dorme, Inuaçu encosta na porta da gaiola para abri-la, mas não consegue.”

(retirado de Inuaçu e o Menino-Gralha, de Patrícia Nardelli)

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A dica do Lou Gold (assistam o vídeo) sobre a antiga Civilização da Terra Preta no Amazonas deu uma reviravolta na minha maneira de pensar a antiguidade de nossas terras. Seja o que for, as coisas não foram do jeito que nos ensinaram a pensar…

Entre todas as considerações que tenho a fazer a respeito, uma delas (longe de ser a mais importante) é que isso impacta um bocado a maneira de escrever fábulas sobre o imaginário e o sonhar brasileiro… ao menos para mim.

É claro que a primeira coisa a ser afetada por esta descoberta foi a minha crônica de Changeling: O Sonhar. :)

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Mais um daqueles memes muito difíceis de responder…

O Viktor Navorski do Abre Parêntese me incluiu no meme que lhe foi “imposto” inicialmente por André Miranda (do Zine Acesso). É claro que por pura e amorosa maldade os meus indicados para respondê-lo são o Paulo Bicarato, meu querido copoanheiro do Alfarrábio.org, a Luana Selva (que está de blogue novo no imaginários.net), a libélula Tati Zengzung (também moradora do imaginários) e o mano véio companheiro de divagações e aventuras Daniel Pádua (que é o zelador-crocante da casa imaginária e, claro, tem um blogue por lá).

Agora que já passei a dor de cabeça em frente, está na hora de tentar escolher cinco — Os cinco — entre os livros que tanto me marcaram. Vamos fazer assim: vou responder sem pensar muito, tudo bem? Os livros que mais me marcaram e ainda hoje fazem sentido para mim (em nenhuma ordem especial, exceto a da memória) são:

  • O Caso Morel, de Rubem Fonseca (mais uma vez, não apenas pela trajetória humana de Paul Morel, mas também pela aula de escrita que Fonseca nos dá neste e em tantos outros de seus livros.)

É claro que vários livros maravilhosos ficaram de fora, mas são duas horas da manhã e foi assim que eu quis responder a este meme agora. Se pudesse citar um sexto livro, ou talvez um sétimo, acho que eu acabaria citando o Bukowski.

Tudo é uma questão de momento. A vida é feita deles, afinal.

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Mais um daqueles memes muito difíceis de responder…

O Viktor Navorski do Abre Parêntese me incluiu no meme que lhe foi “imposto” inicialmente por André Miranda (do Zine Acesso). É claro que por pura e amorosa maldade os meus indicados para respondê-lo são o Paulo Bicarato, meu querido copoanheiro do Alfarrábio.org, a Luana Selva (que está de blogue novo no imaginários.net), a libélula Tati Zengzung (também moradora do imaginários) e o mano véio companheiro de divagações e aventuras Daniel Pádua (que é o zelador-crocante da casa imaginária e, claro, tem um blogue por lá).

Agora que já passei a dor de cabeça em frente, está na hora de tentar escolher cinco — Os cinco — entre os livros que tanto me marcaram. Vamos fazer assim: vou responder sem pensar muito, tudo bem? Os livros que mais me marcaram e ainda hoje fazem sentido para mim (em nenhuma ordem especial, exceto a da memória) são:

  • O Caso Morel, de Rubem Fonseca (mais uma vez, não apenas pela trajetória humana de Paul Morel, mas também pela aula de escrita que Fonseca nos dá neste e em tantos outros de seus livros.)

É claro que vários livros maravilhosos ficaram de fora, mas são duas horas da manhã e foi assim que eu quis responder a este meme agora. Se pudesse citar um sexto livro, ou talvez um sétimo, acho que eu acabaria citando o Bukowski.

Tudo é uma questão de momento. A vida é feita deles, afinal.

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A parte 6 de O Cavaleiro e o Dragão, uma das minhas várias partes prediletas nesta minha “fábula-folhetim“*, já está na fila de edição do Overmundo.

Aos meus leitores que a acompanham, não é necessário dizer mais nada.
(e para aqueles que não acompanham… bem, de que adiantaria dizer alguma coisa?) :)


* este termo foi cunhado para a fábula O Cavaleiro e o Dragão pelo amigo Spírito Santo, em um inspirado comentário deixado em meu perfil no Overmundo. Spírito, você é um barato, cara! :)

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Para quem ainda não viu, a parte 5 de O Cavaleiro e o Dragão já está publicada no Overmundo. Sei que muitos de meus leitores fiéis já leram e comentaram por lá, o que me deixa muito feliz, mas nunca é demais avisar novamente àqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ler.

O Cavaleiro e o Dragão

parte 1
parte 2
parte 3
parte 4
parte 5

p.s. a imagem do post é uma impagável foto de Haidee Lima usada originalmente no excelente post A Bula e o Escrevinhador, de Spirito Santo, no Overmundo. O post fala sobre a antiguidade e imortalidade das histórias e sobre a ‘jornada do escritor’ de Chris Vogler. Vale a pena conferir. Ainda vou acabar fazendo um post aqui sobre este post do Spirito. Eles (Spirito e post) merecem!

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Coloquei-me a reler a versão publicada da parte 4 de O Cavaleiro e o Dragão, e quase me deu vontade de chorar ou dar cabeçadas no monitor. Revisar um texto já publicado é sempre um sofrimento. Sempre acabamos achando que aquilo poderia ter sido tão mais bem escrito se tivéssemos lido e reescrito só mais uma vez…

Mas isso é apenas uma ilusão. A gente sempre acha que poderia ter feito melhor quando olha para trás. Talvez pudesse, se o estivesse publicando agora. Mas o que está feito, está feito. Temos que seguir em frente. E é o que me resta fazer. E eu termino minha releitura com pouco gosto, atento só aos dados que precisava “apreender” do texto pra guiar minha revisão da próxima parte, e sigo em frente.

Retomo a revisão da parte cinco com esperança renovada. Se há algum lugar em que eu posso fazer melhor do que antes, este é o lugar. Leio e releio o primeiro parágrafo umas 4 vezes, e o reescrevo em todas elas. A velha vontade de jogar tudo pra cima e ir dormir já começa a se insinuar novamente, mas eu persisto. Quando passo para o segundo parágrafo, já não há quase nenhuma palavra no mesmo lugar no primeiro parágrafo.

Esta vai ser uma longa revisão, mas vou deixar este fragmento tão bom quanto puder fazer hoje… e então publicá-lo e seguir em frente.

Somos quem somos, e só podemos fazer o que podemos fazer. Não adianta sofrer pela perfeição que não se pode alcançar. Então a gente vai fazendo, na esperança de um dia chegar lá.

Segue o trabalho…

(enquanto isso, para quem ainda não leu, as quatro partes já publicadas no Overmundo estão aqui.)

UPDATE:
Depois de mais uma penosa revisão, e ainda não totalmente satisfeito com o resultado, finalmente publiquei a quinta parte de O Cavaleiro e o Dragão no Overmundo. Está ainda na fila de edição. Ainda bem, pois não gostei muito da apresentação que escrevi no post, mas isso já é coisa para outra revisão… amanhã. :)

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