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Posts Tagged ‘imaginação’

obrigado por me lembrarem que há muitas portas onde os olhos cansados não enxergam nenhuma e muitos caminhos que vem e vão para além da estrada.

“…a estrada de pedra é o único caminho seguro que atravessa Terra dos Ventos e no rumo de Càera Fínne e da cidade portuária de Weailcom. Mas nem todos os viajantes que vão para lá estão em busca de caminhos seguros. Alguns estão ansiosos para descobrir o que encontrarão depois de se perderem da estrada.”
fragmento do Delianárra.

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Toda vez que a falta de energia elétrica arranca o verniz urbano do mundo que nos cerca, eu fico pensando em como a escuridão natural da noite é o ventre prolífico dos mitos.

As faces dos passantes ficam envoltas pela escuridão, um universo de possibilidades para a imaginação. Os cantos e os becos além das luzes de emergência parecem cheios de vida. O silêncio da morte dos eletroeletrônicos dá espaço aos ruídos da noite — distantes, insondáveis, vindos de lugar nenhum e preenchendo os espaços vazios de som. E uma vez que não estamos mais sendo bombardeados de luz e som como de costume, e estamos agora cercados apenas dos suaves vultos e sons distantes da noite, abrem-se as portas da imaginação. E a nossa imaginação desfila no palco escuro da noite sem luz.

No escuro somos mais do que nunca criaturas e criadores de nossos mitos internos, e nossos imaginários tomam vida.

É por isso que eu costumava escrever no escuro, iluminado apenas pela tela do meu computador…

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Este post do Beholder Não Tem Bunda originou uma salutar discussão sobre sistemas de RPG — em especial os sistemas da “dinastia” Dungeons&Dragons — e a elusiva prática de interpretar personagens. Vale a pena dar uma sacada nos comentários.

Abaixo, um trecho (grande) de minha última (até agora) resposta lá na thread de comentários, que resume um poco do que penso sobre o assunto:

Fico feliz que concordemos sobre o que é interpretação. Em essência, acho que é isso mesmo, buscar o enriquecimento do PERSONAGEM e da HISTÓRIA, sempre em busca do objetivo supremo do RPG — diversão de qualidade entre amigos.

Concordo também que o estilo (e a qualidade) do jogo dependem sobretudo do grupo de jogadores — tanto da habilidade do mestre quanto a dos jogadores, e a disposição de todos — para que o jogo seja desta ou daquela forma, e que seja bom dentro daquilo que se propõe a ser.

Mas eu discordo em um ponto com o maclaro: Eu acredito que há sistemas que beneficiam sim a interpretação. E de que forma? Incorporando mecanismos para direcionar / valorizar / integrar os esforços de interpretação dos jogadores em prol do crescimento da história. Da mesma forma que depende do mestre e do grupo saber aproveitar aquele jogador que está interpretando seu guerreiro amargurado pelo passado e rasgado por um dilema indizível, transformando esta interpretação individual em um elemento que valorize o jogo para todos, depende também do sistema (ou no mínimo das adaptações feitas a este pelo grupo) “absorver” e “valorizar” esta interpretação na história.

Trocando em miúdos. No RPG Houses of the Blooded, o personagem é simplesmente construído a partir de sua personalidade e história (dinâmica dos “Aspects”) e a evolução do mesmo só se dá mediante sua contribuição para o enriquecimento da história (via Style Points e desenvolvimento mediado pela aquisição de Aspects). No Vampiro: a Máscara, metade dos “pontos de desenvolvimento (os famosos XP, herança do D&D)” ganhos pelo personagem ao fim da sessão se devem à boa interpretação de natureza, comportamento e conceito do personagem, bem como a contribuição desse no enriquecimento da história. E no D&D, caso o grupo concorde, o mestre pode adaptar o sistema de XP para premiar a interpretação, dentro daquilo que cada jogador se propuser a interpretar. Todos eles tem espaço para interpretação caso o grupo esteja disposto. O primeiro é FEITO para isso, o segundo TEM SISTEMAS para isso, e o terceiro PRECISA SER ADAPTADO para isso. Notam a diferença? Não me venham dizer agora que a interpretação independe do sistema. Só depois de me envolver com sistemas feitos especificamente para estimular a interpretação eu pude perceber a puta diferença que eles fazem. :)

Segue o papo por lá, e talvez por aqui.

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Nossa mais poderosa ferramenta, ou arma, é a imaginação. Não apenas a nossa imaginação, mas o nosso poder de afetar as imaginações alheias. Aquilo que imaginamos, sós ou em conjunto, aos poucos começa a se materializar ou transformar a realidade que nos cerca. Mundos, idéias e realidades surgem e desaparecem na medida que são imaginados ou abandonados pela imaginação.

O poder sobre a imaginação era a benção do contador de histórias. A chama divina da subcriação na qual era forjada a (constante) criação. E esta chama foi roubada e entregue a quem dela desejava fazer usos torpes e nefastos. Nossos prometeus andam livres enquanto nós estamos agrilhoados à rocha, sorvendo sua bile. São os senhores desta dita “sociedade da informação”.

As mais nefastas criações do homem são aquelas que aprisionam a imaginação das pessoas, e as conduzem pelos caminhos esperados pelo senhor das imaginações agrilhoadas. E estas armas sutis são tantas, e por vezes tão disfarçadas, que seu poder e o risco que representam para nós é indizível. Será que a sua imaginação é livre, ou serve aos interesses daqueles que se arrogam o poder de dominar as imaginações alheias para seus próprios fins?

Triste uso foi dado ao poder sagrado da palavra e do contar histórias. Oppenheimer e sua bomba atômica são uma mera sombra ante esta arma mil vezes mais poderosa (e mil vezes mais sutil) que é a narrativa. E enquanto isso, contamos histórias tristes sobre nossa destruição.

Que merda é essa, mano?

Eu quero o meu mundo de volta nesse mundo.

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”      (…) Os cristãos procuraram acabar com toda a sabedoria que não fosse a sua, e na luta para conseguir isso, estão banindo do mundo todas as formas de mistério, exceto as que se harmonizam com a sua fé religiosa. Consideraram heresia pensar que os homens têm mais de uma vida, o que qualquer camponês sabe ser verdade.

— Mas sem acreditar em mais de uma vida, como evitar o desespero? — protestou Igraine. — Que deus justo criaria homens desgraçados ao lado de outros felizes e prósperos, se todos tivessem apenas uma vida?

— Não sei — respondeu Merlim. — Talvez queiram que os homens se desesperem com a dureza do destino, para que procurem de joelhos o Cristo, que os levará ao Céu. Não sei o que acreditam os seguidores do Cristo, ou o que esperam.

Seus olhos fecharam-se por um momento, os traços de seu rosto tornaram-se mais amargos.

— Mas quaisquer que sejam as suas convicções, elas estão mudando este mundo. Não só em espírito, mas também no plano material. Como negam o mundo do espírito, e o reino de Avalon, esses reinos deixam de existir para eles. Ainda existem, é claro, mas não no mesmo mundo dos seguidores de Cristo. Avalon, a ilha sagrada, já não é mais a mesma ilha que Glastonbury, onde nós, da Fé Antiga, permitimos, certa vez, que os monges construíssem sua capela e seu mosteiro. (…)

(…) Em nosso mundo, Igraine, há espaço para muitos deuses e muitas deusas. Mas no universo dos cristãos — como dizer isso? — não há lugar para a nossa visão e a nossa sabedoria. No mundo deles, há apenas um deus; não só esse deus deve conquistar todos os outros, mas também deve fazer como se não houvesse outros deuses, como se não tivesse havido nunca outros deuses e sim falsos ídolos, obra do diabo. E isso para que, acreditando nesse deus único, todos os homens possam ser salvos nesta única vida. É assim que pensam. E o mundo é a projeção daquilo que os homens acreditam. Portanto os mundos que antes eram um só se estão separando…”

Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley.
livro 1: “A Senhora da Magia”. pp. 14-15 da 6ª edição brasileira, ed. Imago.

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Era uma vez um homem menino que guardou um momento dentro de uma garrafa de cerveja. Valendo-se das artes de sua velha alma, tomou o momento, as duas almas nele despidas, o sol da tarde que virava noite, e guardou tudo dentro de uma garrafa. Guardou-a em seu armário, a adorava em sua mente — afagava-a em sua imaginação — como se conseguisse tocar dentro dela as almas alí perdidas, morrendo pouco a pouco. Um dia ele abriu a garrafa e deixou tudo sair e se esvair no ar. Mas o dano já estava feito, e para sempre ele carregou no peito o pouco de morte que bem conhecem aqueles que amaram e partiram…

– Esta é uma história triste, L’th.
– Não. Esta é apenas uma história. Nem sempre me recordo dela como deveria.
– Você…!?
– Vamos tomar uma cerveja, cluracão.
– Humm… tá bom. Você não quer falar sobre isso…
– Já falei.
– Você paga?
– Como sempre…

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É incrível e maravilhoso como pequenas coisas podem nos arrancar do transe triste da depressão. As nuvens avançando no céu, rodeando o sol que dança entre as árvores ao som de tambor das trovoadas que rolam sobre as colinas… só isso, tudo isso… me fez me sentir vivo de novo!

Talvez hoje seja dia de dedicar algum tempo à minha escrita.

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