Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Lothienárra’

Era uma vez um homem menino que guardou um momento dentro de uma garrafa de cerveja. Valendo-se das artes de sua velha alma, tomou o momento, as duas almas nele despidas, o sol da tarde que virava noite, e guardou tudo dentro de uma garrafa. Guardou-a em seu armário, a adorava em sua mente — afagava-a em sua imaginação — como se conseguisse tocar dentro dela as almas alí perdidas, morrendo pouco a pouco. Um dia ele abriu a garrafa e deixou tudo sair e se esvair no ar. Mas o dano já estava feito, e para sempre ele carregou no peito o pouco de morte que bem conhecem aqueles que amaram e partiram…

– Esta é uma história triste, L’th.
– Não. Esta é apenas uma história. Nem sempre me recordo dela como deveria.
– Você…!?
– Vamos tomar uma cerveja, cluracão.
– Humm… tá bom. Você não quer falar sobre isso…
– Já falei.
– Você paga?
– Como sempre…

Anúncios

Read Full Post »

L’th sentou-se na beira da calçada, com os longos pés tocando a areia da Praia Vermelha, e se deixou ficar lá. Fitava o sol que se punha, tão inalcançável. O’Dúireagh o olhava sem jeito. Por vezes ficava perplexo com L’th, e não sabia como reagir. Então apenas o olhava e esperava para ver o que faria. Mas L’th ficou lá, sem dizer nada, sem esboçar qualquer reação, olhos púrpuras perdidos na imensidão do mar que abraçava o dia e trazia a noite por trás do sol que ia embora.

– “Você está assim porque falei dos rumores da volta dela, homem?” O’Duireág tentou começar um assunto.

L’th parecia não ter ouvido, mas seus olhos pareciam mais úmidos, mareados. O’Duireág fez menção de falar alguma coisa, mas L’th o interrompeu ao levantar-se da calçada e caminhar em direção ao mar alagoado na Baía da Praia Vermelha. O’Duireág o seguiu.

– “É por conta dela? Por conta da artesã de Atirfeu?” Insistiu O’Duireág, perplexo.
– “Sim e não, cluracão.”
– “O que é então. Você parece triste.”
– “Triste? Sim e não. Sentindo, sim. Sentindo muito. Sentindo como não estava mais acostumado…”
– “Eu não entendo. Você tem sempre que ser tão complicado?”
– “É você que finge que não é, cluracão.”

O’Duireág se calou. Ele também sabia que sentia. Ficou também observando o mar que era pouco a pouco engolido pela noite. Quase não ouviu quando L’th continuou a falar, com uma voz suave e embargada que ele nunca havia ouvido antes…

– “Não é só por ela que me emociono nesta tarde. É por ele. Pelo caminhante que cantou as ilhas. Por DánL’th… É a ele que amo acima de tudo, e também tenho medo que volte. E com a volta dela, ele também irá voltar. É assim que é, e é assim que ele é. Voltará. Eu não sei o que fazer sobre isso. Por vezes era mais fácil quando ele estava em outro mundo e eu podia me esconder e fingir que nada mais existia além de mim. Mas ele é parte de mim, eu sou parte dele, e por isso não posso deixar de amá-la e amar a ele ainda mais agora que se aproximam.”

O’Duireág não sabia o que dizer frente a tudo aquilo. Era ao mesmo tempo complexo demais e familiar demais. Sussurrou apenas um “eu entendo” quase inaudível, e suspirou profundamente.

O alto senhor feérico e o cluracão ficaram observando o mar até que a noite os abraçou. E depois foram embora andando pela praça em um silêncio cúmplice.

Read Full Post »

“- Algumas pessoas se preocupam demais com os astros. Outras, não sabem sequer quando nasceram…
– Algumas não tem como saber…
– Como assim, Clurichaun?
– Algumas simplesmente não tem como saber.
– Está se referindo a alguém em específico? Tenho a impressão de conhecer este sorriso.
– Sim.
– …
– Alguém bastante especial. Ela é…
– … [risos]
– O que foi?
– Estava tentando ler a sua mente…
– Seu ‘fidaputadesgraçado’…!
– Acalme-se. Eu desistí. Sua cabeça é uma bagunça. [risos]
– Então me devolve a garrafa, seu ‘semideuzinho’ de merda, porque seu silêncio me deixa de boca seca.
– É você que fala demais, Clurichaun. Tome seu whiskey.”

L’th e O’Duireagh fazem uma amizade farpada que pode vir a salvar alguns mundos… Ou talvez não.

Enquanto isso, em algum outro lugar, alguém começa a tomar consciência de quem é e coloca em movimento uma reação em cadeia que surprenderá muito a ambos.

Read Full Post »

É impressionante como por vezes uma imagem feita por outra pessoa — alguém que você não sabe nem nunca vai saber ao certo quem é — simplesmente captura uma imagem que estava dentro de você. Por mais que se tente resistir, dar uma de durão — coisa que aprendemos a fazer neste mundo onde se encantar é feio e constrangedor — não dá para negar. Não é pela técnica ou pela beleza, ou por qualquer motivo que possa ser colocado em palavras, mas esta imagem me encantou. Até tentei, mas não deu para não publicá-la por aqui…

(a imagem acima é de Werdandi, no deviantArt)

Read Full Post »

É impressionante como por vezes uma imagem feita por outra pessoa — alguém que você não sabe nem nunca vai saber ao certo quem é — simplesmente captura uma imagem que estava dentro de você. Por mais que se tente resistir, dar uma de durão — coisa que aprendemos a fazer neste mundo onde se encantar é feio e constrangedor — não dá para negar. Não é pela técnica ou pela beleza, ou por qualquer motivo que possa ser colocado em palavras, mas esta imagem me encantou. Até tentei, mas não deu para não publicá-la por aqui…

(a imagem acima é de Werdandi, no deviantArt)

Read Full Post »

A gripe não me permitia nada mais do que dormitar. Quando finalmente o corpo relaxou, mesmo impossibilitado de respirar direito por conta do nariz totalmente entupido, minha mente se iluminou novamente com centenas de histórias. Seria algo como o de costume, não fosse o fato de que as histórias estão mais vívidas do que o normal, e eu estou há 5 horas tentando dormir e sendo mantido acordado por Delian, Dán Loth, Lothien, Arran, Parsifal Cluracão, Rodrigo e seu outro e, obviamente, por minhas duas narinas entupidas.

Mesmo tendo que estar acordado, lépido e animado hoje à tarde, desisti de tentar dormir por agora. Não apenas não estava conseguindo, mas começou a me soar um imenso desperdício não verter ao mundo ao menos alguns fragmentos das histórias…

Lá vamos nós…

(o tom de negro absorvente da tela de meu computador, um segundo antes deste exibir a tela de login do meu perfil, tem uma mágica toda própria. é de um negrume sem descrição nem nome. se poderia morar nele, ou através dele ir parar em outro lugar. fiquei tão impressionado por ele a poucos momentos atrás que quase me esqueci minha senha…)

Read Full Post »

Há uma longa história a ser contada. Mas hoje eu já sei como contá-la.

Vou contá-la da mesma forma que eles a contam para mim…
Em fragmentos, pequenas jóias de caleidoscópio, vislumbres, recordações e devaneios.

A longa história estará organizada com os seguintes tags:

Queda do Oeste, para reunir todos os fragmentos em um só fluxo de lembranças, lendas e revelações.
Arranárra, Lothienárra e Delianárra definindo as três linhas narrativas que contam a longa história que talvez comece antes do Leste e do Oeste.

E A História talvez comece assim…

“Houve um começo, mas cada vez que ele foi narrado sua verdade se diluiu na alma daquele que o narrou. Eu poderia contar como começou, como alguns já fizeram, mas estaria falando de mim mesmo, mais do que daquilo que você quer saber. Houve um começo, mas vou me limitar a contar aquilo que me lembro e aquilo que vivi. É tudo que posso e que quero fazer. E a minha história começa como um nascimento, com dor e um pouco de desorientação, em um quarto escuro…”

~ extraído do Delianárra.

Read Full Post »