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Posts Tagged ‘metafísica da qualidade’

Mais um daqueles memes muito difíceis de responder…

O Viktor Navorski do Abre Parêntese me incluiu no meme que lhe foi “imposto” inicialmente por André Miranda (do Zine Acesso). É claro que por pura e amorosa maldade os meus indicados para respondê-lo são o Paulo Bicarato, meu querido copoanheiro do Alfarrábio.org, a Luana Selva (que está de blogue novo no imaginários.net), a libélula Tati Zengzung (também moradora do imaginários) e o mano véio companheiro de divagações e aventuras Daniel Pádua (que é o zelador-crocante da casa imaginária e, claro, tem um blogue por lá).

Agora que já passei a dor de cabeça em frente, está na hora de tentar escolher cinco — Os cinco — entre os livros que tanto me marcaram. Vamos fazer assim: vou responder sem pensar muito, tudo bem? Os livros que mais me marcaram e ainda hoje fazem sentido para mim (em nenhuma ordem especial, exceto a da memória) são:

  • O Caso Morel, de Rubem Fonseca (mais uma vez, não apenas pela trajetória humana de Paul Morel, mas também pela aula de escrita que Fonseca nos dá neste e em tantos outros de seus livros.)

É claro que vários livros maravilhosos ficaram de fora, mas são duas horas da manhã e foi assim que eu quis responder a este meme agora. Se pudesse citar um sexto livro, ou talvez um sétimo, acho que eu acabaria citando o Bukowski.

Tudo é uma questão de momento. A vida é feita deles, afinal.

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Mais um daqueles memes muito difíceis de responder…

O Viktor Navorski do Abre Parêntese me incluiu no meme que lhe foi “imposto” inicialmente por André Miranda (do Zine Acesso). É claro que por pura e amorosa maldade os meus indicados para respondê-lo são o Paulo Bicarato, meu querido copoanheiro do Alfarrábio.org, a Luana Selva (que está de blogue novo no imaginários.net), a libélula Tati Zengzung (também moradora do imaginários) e o mano véio companheiro de divagações e aventuras Daniel Pádua (que é o zelador-crocante da casa imaginária e, claro, tem um blogue por lá).

Agora que já passei a dor de cabeça em frente, está na hora de tentar escolher cinco — Os cinco — entre os livros que tanto me marcaram. Vamos fazer assim: vou responder sem pensar muito, tudo bem? Os livros que mais me marcaram e ainda hoje fazem sentido para mim (em nenhuma ordem especial, exceto a da memória) são:

  • O Caso Morel, de Rubem Fonseca (mais uma vez, não apenas pela trajetória humana de Paul Morel, mas também pela aula de escrita que Fonseca nos dá neste e em tantos outros de seus livros.)

É claro que vários livros maravilhosos ficaram de fora, mas são duas horas da manhã e foi assim que eu quis responder a este meme agora. Se pudesse citar um sexto livro, ou talvez um sétimo, acho que eu acabaria citando o Bukowski.

Tudo é uma questão de momento. A vida é feita deles, afinal.

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Olhando o google em busca de links e revendo velhos escritos sobre o maravilhoso primeiro livro de Robert M. Pirsig (onde ele lança as bases de sua Metafísica da Qualidade), reencontrei o link para a versão integral do livro disponível na internet.
Quer ler? O livro está aqui (por enquanto, apenas na língua inglesa).

“”Quality”, or “value” as described by Pirsig, cannot be defined because it empirically precedes any intellectual constructions. It is the “knife-edge” of experience, known to all. “What distinguishes good and bad writing? Do we need to ask this question of Lysias or anyone else who ever did write anything?” (Plato’s Phaedrus, 258d). Likening it with the Tao, Pirsig believes that Quality is the fundamental force in the universe stimulating everything from atoms to animals to evolve and incorporate ever greater levels of Quality. According to the MOQ, everything (including mind, ideas and matter) is a product and a result of Quality.”


(retirado do verbete da wikipedia anglófona sobre Metafísica da Qualidade)

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Olhando o google em busca de links e revendo velhos escritos sobre o maravilhoso primeiro livro de Robert M. Pirsig (onde ele lança as bases de sua Metafísica da Qualidade), reencontrei o link para a versão integral do livro disponível na internet.
Quer ler? O livro está aqui (por enquanto, apenas na língua inglesa).

“”Quality”, or “value” as described by Pirsig, cannot be defined because it empirically precedes any intellectual constructions. It is the “knife-edge” of experience, known to all. “What distinguishes good and bad writing? Do we need to ask this question of Lysias or anyone else who ever did write anything?” (Plato’s Phaedrus, 258d). Likening it with the Tao, Pirsig believes that Quality is the fundamental force in the universe stimulating everything from atoms to animals to evolve and incorporate ever greater levels of Quality. According to the MOQ, everything (including mind, ideas and matter) is a product and a result of Quality.”


(retirado do verbete da wikipedia anglófona sobre Metafísica da Qualidade)

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É possível se contar uma história sem moral? É possível sequer se conceber uma narrativa que seja não moral, ou onde uma personagem possa ser realmente não moral? Se isto for possível, so o é em um Conto da Terra Encantada (e, insisto, a tradução é FaërieTale e não FairyTale) e tratar-se-á de uma das mais fabulosas demonstrações de Sub-Criação* e mesmo Meta-Sub-Criação*.

Estou sendo muito incompreensível?
Então vamos tentar esclarecer as coisas…

Toda moral é um código, uma estruturação, de valores. Valores são afirmações feitas a respeito de idéias, atos, objetos, pessoas e quaisquer elementos que se possa perceber. Quando se diz “o gato é bonito”, se está fazendo uma afirmação de valor. Quando se diz “eu estou achando este texto um saco”, esta é também uma afirmação de valor. Do mesmo modo, dizer que tal coisa é certa ou errada, ou que tal idéia ou coisa é boa ou ruim, são afirmações de valor (assim como dizer que alguma coisa existe ou mesmo que não-existe). Sobre estas afirmações de valor, de certos e errados e “melhores que” e “piores que”, se constrói uma moral. E não é que haja tantas “morais” assim, pois uma grande quantidade de afirmações de valor são tão entranhadas em nossas culturas que nem sequer sabemos que as levamos em nossas cabeças. Logo, podemos discutir se o aborto é “bom” ou “ruim” e, dependendo de nossos valores, este será “moral” ou “imoral” (contrário à moral). Por outro lado, se eu questionar a validade da afirmação de que “esta tela é real” ou mesmo da afirmação de que “você é real”, você pode me achar interessante, curioso, completamente maluco ou achar que ando lendo livros demais sobre física quântica, mas dificilmente esta afirmação estará em discussão para você (a não ser que você seja tão maluco ou maluca, ou quântico, quanto eu).

Pois bem, para encurtar uma explicação que pode ser muito longa, a partir de uma estrutura de valores se tece uma moral. Há quem diga que a moral é a própria estrutura de valores, mas isso não importa agora. O que importa é que, uma vez que existe uma ou várias moralidades, dado que existem valores e eles se estruturam sempre de alguma forma, torna-se então possível afirmar que não há nada que não esteja de alguma forma contemplado, seja positiva ou negativamente, pela moralidade. Posto isso, qualquer afirmação (e uma narrativa é construída de afirmações) carrega em seu seio uma enorme dimensão moral.

Se eu digo que “John pegou uma pedra e a jogou em Michael”, isso não tem, a princípio, uma implicação moral, não é? não é!? Mas é claro que tem! Logo de cara temos um ato que, dentro de uma estrutura moral, pode ser considerado certo ou errado. Na maior parte das vezes a “observação moral” desta afirmação dependerá, ou poderá ao menos ser modificada, por outras afirmações ligadas e complementares a ela como, por exemplo, “John jogou a pedra pois Michael estava fugindo com sua carteira”. Note a quantidade de questões morais (é certo jogar pedras nos outros? é certo jogar pedras em pessoas que tentam roubar suas carteiras? é certo roubar carteiras? um erro justifica o outro? o calor do momento, ou as emoções, justificam um erro? etc…) contidas apenas neste conjunto de duas afirmações. Será possível então escrever uma história não-moral?

Vamos tentar aprofundar um pouco mais esta questão (ou, se estiver cansado ou já estiver convencido de que não é possível escrever uma narrativa não-moral, pode pular para o último parágrafo). Vamos nos esforçar mais para buscar ao menos uma única afirmação não moral. Algo como “a pedra está no chão”. Vejam! Uma afirmação sem nenhum conteúdo moral, certo? Não é!? Err… acho que não foi desta vez que conseguimos também. Pode-se dizer que não há a princípio nenhuma questão que “pareça” moral envolvida nesta afirmação. Mas vamos olhar um pouco mais para a pedra e ver se não há aí nenhum valor envolvido. Antes de mais nada, o que é uma pedra? Sem precisar entrar em definições muito complexas, uma pedra é um objeto basicamente não-vivo (ou assim convencionamos acreditar) que e feito de… bem… de algum tipo de rocha. Mas no fundo isso não é uma pedra. Isso é apenas um nome (valor) e uma definição que o conceitua (mais valores) atribuídos àquele objeto. A mesma coisa vale para chão e até para a idéia de “estar” (sim, lá vamos nós para mais Metafísica Qualitativa Pirsiguiana!). Mas o que tem a ver isso com a moral? É aí que está o ponto! Lembram-se de que a moral é uma estruturação de valores? Se o nome é um valor, e eu estou usando naquela afirmação ao menos dois nomes (pedra e chão), além do conceito de estar, então afirmar que a pedra está no chão é uma reiteração (ainda que “au-passant“) da “validade” destes nomes e deste conceito enquanto formas de se expressar o fenômeno sobre o qual estou afirmando. Tá muito complexo? Agora que chegamos até aqui, dá para simplificar. Ao dizer “a pedra está no chão” eu estou dizendo que existe uma pedra, e que ela pode ser chamada assim, e que existe um chão, e que ele pode ser chamado assim, e que uma pedra pode estar no chão, a partir do momento que estou afirmando que ela “está no chão”. Weeew… que maluquice, duende! Pode ser maluquice, mas são afirmações perfeitamente razoáveis. Eu poderia questionar (e esta seria uma daquelas coisas que parecem inquestionáveis, pois estão incutidas em nossa percepção de mundo, mas que na verdade tanto podem ser questionáveis quanto vem sendo questionadas pela física quântica), por exemplo, que exista tal coisa como uma pedra. É! Eu posso! E agora você não vai ter só que afirmar que a pedra está no chão. Vai ter que me convencer de que há tal coisa como uma pedra para que ela possa estar ali no chão. A mesma coisa vale para o chão. Você afirmou que há um chão (e isso é um valor: “chão existe”, uma vez que algo pode estar “no chão”). Agora vai ter que arcar com as consequências. Prove que existem pedras, chão, e, por fim, que uma pedra PODE simplesmente ESTAR no chão. Mas não precisamos discutir nada disso se você quiser apenas afirmar que “a pedra está no chão”, assim como afirmar que “John pegou a pedra e a jogou em Michael” ou que “Mary teve seu filho pois considerava um absurdo realizar um aborto”. Mas você há de convir agora que estas três afirmações são profundamente carregadas de conteúdo moral (e que eu posso ser um imoral por isso, mas eu posso questioná-las enquanto afirmações de valor que são). E agora podemos, então, concluir que é IMPOSSÍVEL se escrever uma narrativa sem conteúdo moral?

Postas todas estas coisas, temos então que ficar atentos à moral de cada uma de nossas afirmações (e isso não apenas quando estamos escrevendo histórias ou fábulas). Cada afirmação carrega em seu seio uma enorme quantidade de consequências, e se as mesmas passam completamente desapercebidas no cotidiano, o mesmo não se dá quando se está construindo uma narrativa. Cada pequena afirmação utilizada na construção da história diz muito não apenas sobre o mundo que está sendo sub-criado, mas também sobre o olhar que você ora lança sobre ele (e partilha com o leitor). Quando se está escrevendo uma história, seus olhos são os olhos do leitor e seus ouvidos são igualmente partilhados mas, sobretudo, uma parte “a priorística” do seu juízo de valores também acaba sendo emprestada. O leitor pode exercer seu senso crítico a respeito daquilo que consegue enxergar, mas não a respeito daquilo que você já julgou e valorou antes dele. Desta forma é dado ao contador de histórias não apenas moldar um mundo e povoá-lo de personagens e histórias, mas também enfocar todo este ecossistema dinâmico com a luz de seu olhar narrador de forma a dar a ele tal ou qual nuance desejar. Cria-se vilões e heróis (e estes dois entes são elementos feitos de moral da cabeça aos pés, mesmo que não tenham cabeças ou pés), direitos e regras, premiações e punições naturais, e tudo isso pode acontecer por debaixo do tapete vermelho que você estende ao leitor, ou mesmo por debaixo do seu próprio nariz. Quando digo que ao escrever dizemos muito sobre nós mesmos, não estou falando apenas das nossas escolhas temáticas e de histórias, ou das dimensões morais mais aparentes. Estou dizendo que, ao emprestar seus olhos e ouvidos e tudo mais ao leitor, você está emprestando uma parte das janelas da sua alma e, inevitavelmente, das lentes que usa para enxergar o mundo sub-criado ou revelado a você. Estas são coisas que se deve ter em mente ao escrever. Toda história tem uma moral ou, mais do que isso, toda história é construída inteiramente de valores, moral e (com um pouco de imaginação, arte e fantasia por parte do contador) de um bocado de magia. É necessário se ter muita responsabilidade e atenção quando se utiliza a magia da criação…

Tudo isso me faz pensar que, na verdade, tudo neste universo é submetido à moral (ou às moralidades várias). Mas disso qualquer leitor de Pirsig já sabe…

Ou vocês também querem que eu explique? :)

Acho melhor voltar à minha fábula.
Espero que este enorme post sirva a alguém.


* Por mais que eu tente, nunca consegui achar um link ou texto sequer que explique estes conceitos de forma razoável. Por fim acabei escrevendo um eu mesmo, que pode ser lido seguindo a palavra hyperlinkada, ou clicando aqui.

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