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Posts Tagged ‘patricia nardelli’

Inuaçu e o menino-gralha

“Inuaçu fazia tapioca quando achou uma gralha com a asa quebrada. Como se devia fazer, Inuaçu a levou para a oca, colocando-a em uma gaiola bonita feita com pedaços de pau e cipó. Inuaçu se lembrava de antigas histórias sobre espíritos de homens que habitavam corpos de pássaros, por isso tratou logo de alimentar bem a gralha e conversar com ela todos os dias. Inuaçu e a gralha travavam longas conversas enquanto ela cozinhava ou tecia esteiras. A gralha não disse seu nome, era proibido às criaturas de dois mundos revelar seu nome para aqueles que habitavam somente um. Disse apenas que era um menino. O tempo passou e Inuaçu percebeu que a asa do menino-gralha estava curada. Era hora de solta-lo, ela sabia, e nunca mais tornaria a vê-lo. O menino-gralha disse a Inuaçu que queria ficar e pediu para que ela não abrisse a gaiola, pois isso o obrigaria a ir. Disse que havia se apaixonado. A índia também estava apaixonada, mesmo sabendo que seus desejos feriam as ordens dos deuses. Inuaçu sabia que se não abrisse a gaiola ambos seriam amaldiçoados e suas vidas nunca seriam felizes. A gralha nunca mais poderia cantar e perderia todas as suas penas, o útero de Inuaçu se tornaria seco e sua comida nunca mais teria sabor. Ficariam amaldiçoados e passariam a habitar o mundo dos mortos em vida. Inuaçu sempre soubera que destinos diferentes assim não se cruzavam. Toda noite, enquanto o menino-gralha dorme, Inuaçu encosta na porta da gaiola para abri-la, mas não consegue.”

(retirado de Inuaçu e o Menino-Gralha, de Patrícia Nardelli)

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Faz tempo que não me sento para escrever aqui. Não por falta de vontade, ou de históris porvoando minha cabeça. Talvez por falta de disciplina, mas certamente também por falta de tempo. De qualquer forma, resolvi seguir o exemplo da Patinha e dar um sinal de vida.

Não tenho tido tempo, ou não tenho encontrado o momento, para escrever minhas histórias também. Nestes dias corridos (mas realmente muito bons) que tenho vivido, as histórias surgem, dançam e vão embora em minha cabeça. Há coisas mais importantes a se fazer em certos momentos da vida do que contar histórias.

Tem-se que viver um pouco também, de quando em quando.
De qualquer forma As Memórias do Fogo de Galeano tem me feito bastante companhia nestes dias também. Os contos de Angela Carter nem conseguem competir pela atenção que dou ao Galeano ultimamente :)

E assim seguem os dias, até a próxima curva da estrada ou a próxima história para contar.

Em tempo… Esqueci de comentar no post retrasado, mas foi a Patinha que me apresentou ao Galeano. Se hoje me apaixono por histórias latino-americanas mais do que pelas européias, a culpa é quase toda dela e do Galeano (com uma mãozinha do Garcia Marquez).

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“Agora só durmo, há tanto tempo que nem lembro a cor dos meus olhos. – Pois eu sei de que cor eles são. – provocou – Sabe? – Cor de tristeza, olhos como os seus só podem ter cor de tristeza. – Você acha? – Acho. – Quem é você? Nunca vem ninguém aqui. – Isso não é importante, tenho que ir embora mesmo. – Espera. Ela se sentou e abriu os olhos vagarosamente, querendo fechá-los, de doloridos que estavam. Ele abriu um enorme sorriso ao vislumbrar os olhos violeta, brilhantes. – Ah, eu estava certo – disse tocando o rosto dela -, são lindos. – São? – Violeta – ele gritou, rindo -, lindos! – e foi embora

“- E que escolha a gente tem quando a nossa felicidade depende de outra pessoa não mudar de idéia cada vez que acorda? Que escolha a gente realmente tem?
– Não, Estela, acho que a gente não tem escolha alguma

“Penso em amor. A guerra estoura no Haiti. Um furacão devasta os eua. Penso em amor. Uma borboleta cai morta no chão, com as asas quebradas. Acendo um cigarro numa miríade de atos falhos. Leio sempre as mesmas páginas do livro. Põe um pouco mais de whisky no meu café, por favor, que é para ver se eu entendo melhor o mundo

Por um ínfimo momento daquele quase amanhecer Adriana e Amanda foram a mesma: duas mulheres com amor para além de si, com o estranho desejo de se viverem por extravasar. Duas belas mulheres olhando o amanhecer mais belo dos tempo, sentindo o cheiro da chuva passda e desejando a eternidade daquele momento que, sabiam, só era o que era por ser momento. Elas sorriram o mesmo sorriso. Adriana pensou nele e disse eu te amo para si mesma antes de adormecer, pensando em dias vindouros. Amanda pensou no garoto com quem nunca havia tido nada e se quis consolar por não se viver inteira, pois não se vivia amar

“Ela olha para o lado e pensa em respirar fundo. Chove. Dá para ver a janela do lado da mesa, o rosto dela à esquerda, o dele à direita. Gotas de chuva escorrem discretas, embaçando. Ela olha para ele por dentro. Ele para de mastigar no meio do caminho e pergunta:
– O que foi?
– Eu te amo.
– Eu também.
Ele olha para a janela. Ela, para o outro lado

Ela sabe contar histórias…

Eu só estou (re)aprendendo.
É sempre bom (re)aprender…

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“Agora só durmo, há tanto tempo que nem lembro a cor dos meus olhos. – Pois eu sei de que cor eles são. – provocou – Sabe? – Cor de tristeza, olhos como os seus só podem ter cor de tristeza. – Você acha? – Acho. – Quem é você? Nunca vem ninguém aqui. – Isso não é importante, tenho que ir embora mesmo. – Espera. Ela se sentou e abriu os olhos vagarosamente, querendo fechá-los, de doloridos que estavam. Ele abriu um enorme sorriso ao vislumbrar os olhos violeta, brilhantes. – Ah, eu estava certo – disse tocando o rosto dela -, são lindos. – São? – Violeta – ele gritou, rindo -, lindos! – e foi embora

“- E que escolha a gente tem quando a nossa felicidade depende de outra pessoa não mudar de idéia cada vez que acorda? Que escolha a gente realmente tem?
– Não, Estela, acho que a gente não tem escolha alguma

“Penso em amor. A guerra estoura no Haiti. Um furacão devasta os eua. Penso em amor. Uma borboleta cai morta no chão, com as asas quebradas. Acendo um cigarro numa miríade de atos falhos. Leio sempre as mesmas páginas do livro. Põe um pouco mais de whisky no meu café, por favor, que é para ver se eu entendo melhor o mundo

Por um ínfimo momento daquele quase amanhecer Adriana e Amanda foram a mesma: duas mulheres com amor para além de si, com o estranho desejo de se viverem por extravasar. Duas belas mulheres olhando o amanhecer mais belo dos tempo, sentindo o cheiro da chuva passda e desejando a eternidade daquele momento que, sabiam, só era o que era por ser momento. Elas sorriram o mesmo sorriso. Adriana pensou nele e disse eu te amo para si mesma antes de adormecer, pensando em dias vindouros. Amanda pensou no garoto com quem nunca havia tido nada e se quis consolar por não se viver inteira, pois não se vivia amar

“Ela olha para o lado e pensa em respirar fundo. Chove. Dá para ver a janela do lado da mesa, o rosto dela à esquerda, o dele à direita. Gotas de chuva escorrem discretas, embaçando. Ela olha para ele por dentro. Ele para de mastigar no meio do caminho e pergunta:
– O que foi?
– Eu te amo.
– Eu também.
Ele olha para a janela. Ela, para o outro lado

Ela sabe contar histórias…

Eu só estou (re)aprendendo.
É sempre bom (re)aprender…

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I see trees of green
red roses too
I see ‘em bloom
for me and for you
And I think to myself
what a wonderful world.

I see skies of blue
clouds of white
Bright blessed days
dark sacred nights
And I think to myself
what a wonderful world.

The colors of a rainbow
so pretty in the sky
Are also on the faces
of people going by
I see friends shaking hands
sayin how do you do
Theyre really sayin
i love you.

I hear babies cry
I watch them grow
Theyll learn much more
than Ill never know
And I think to myself
what a wonderful world…

para a minha Ninkasi. :)

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I see trees of green
red roses too
I see ‘em bloom
for me and for you
And I think to myself
what a wonderful world.

I see skies of blue
clouds of white
Bright blessed days
dark sacred nights
And I think to myself
what a wonderful world.

The colors of a rainbow
so pretty in the sky
Are also on the faces
of people going by
I see friends shaking hands
sayin how do you do
Theyre really sayin
i love you.

I hear babies cry
I watch them grow
Theyll learn much more
than Ill never know
And I think to myself
what a wonderful world…

para a minha Ninkasi. :)

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