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Posts Tagged ‘silêncio’

e.e.cummings

somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me,i and
my life will shut very beautifully,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain,has such small hands

– e.e. cummings

(há anos eu procurava a poesia original)

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Quando vem o silêncio
a gente volta a se ouvir.

[…]

Eu acho que eu havia me esquecido completamente.

havia me esquecido completamente
de como a gente se sente
quando a gente sente…

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“…Armando chegou em casa, jogou as chaves do carro e a carteira sobre a mesa bagunçada, e entrou rápido em seu quarto. Ouviu o silêncio e olhou para o teto. Ficou um, dois, vários segundos assim, deleitado com o silêncio e com o vazio. Não era o barulho dos outros, mas sim o barulho que os outros faziam em sua cabeça, que o enlouquecia o dia inteiro. Armando nunca ouvia música em casa nem recebia visitas. Seu maior prazer era a privação momentânea de qualquer contato humano. Não eram prazeres tão estranhos assim. Todos precisam de um pouco de solidão…”

(o fragmento é antigo, mas hoje o reencontrei por acaso e resolvi publicar)

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– O mundo não é justo, garoto. Nestes tempos, a beleza é cada vez mais fugaz e geralmente só existe onde é cultivada e cuidada. Fora disso, ela é massacrada por estes tempos rápido demais…
– Eu sei. Isso é muito triste. Mas o que eu faço, então?
– Seja justo, ou tente, e cultive a beleza. O que mais você poderia fazer?
– Mas isso quer dizer que eu vou sofrer…
– Sim. Mas nem mesmo a morte costuma ser indolor. O que você espera da vida então, garoto?
– Eu espero ser feliz.
– Então faça o que puder para ser feliz, e não me torra.

-=-

…Caminharam pela rua em meio aos curiosos até chegar à esquina. Mesmo sabendo o que encontrariam, se surpreenderam com a terrível exuberância do incêndio que consuma o prédio. Havia gente sendo queimada viva lá dentro, eles podiam ver e ouvir isso. Ele teve vontade de chorar, mas mesmo aquilo não parecia fazer sentido naquele momento. Ela se virou para ele, tirando do rosto as mechas ruivas carregadas pelo bafo ígneo do incêndio e perguntou “será que tudo isso foi por conta de um cigarro?”. Ele respondeu, com os olhos fitos em uma mulher que caía para a morte, que “o problema não era o cigarro. o problema era não saber a hora de parar e apagá-lo.”. Ficaram lá olhando a torre que ardia e desmoronava. Não sabiam mais o que dizer.

-=-

O corpo magro de Lúcia estava ainda mais magro, quase esquelético, e encantava na mesma medida que chocava Pedro enquanto ele a fitava nua sobre a cama. Não conseguia se lembrar como havia chegado até alí. Perguntava-se onde estaria Marina, mas tinha certeza de que ela havia ido embora. Pensou em ir atrás dela, mas não sabia onde procurá-la. E então se lembrou de coisas que preferia não lembrar. Coisas que preferia que nunca tivessem acontecido. Fitou a porta. Voltou a fitar a cama. Não sabia para onde ir. Tudo é dor, e toda a dor vem do desejo de não sentirmos dor…

Foi então que eles começaram a destruir a casa. Pedro podia ouvir as paredes caindo e os vidros quebrando lá fora do quarto. Lá dentro, contudo, a devastação ainda era grande demais para que ele pudesse se preocupar com o resto do mundo.

-=-

Sua sombra estava lá, rajada de gotas de chuva. Havia luz também. A luz agradável dos dias nublados que agora não machucava mais seus olhos.

-=-

silêncio.

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